FHC sai em defesa de Aécio: 'o senador não fez tal pedido'

Em nota divulgada nesta sexta, ex-presidente chama de 'verdade alternativa' afirmação de que parte da campanha do PSDB em 2014 foi financiada com caixa 2

Ricardo Brito, Agência Estado

03 de março de 2017 | 17h08


Brasília - O ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, divulgou na tarde desta sexta-feira, 3, nota oficial em que sai em defesa do atual comandante do partido, o senador Aécio Neves (MG). O tucano disse lamentar que haja o que chamou de uma estratégia usada por adversários da legenda de difundir “notícias alternativas” de modo a confundir a opinião pública.


FHC disse que parte do noticiário do dia sobre os depoimentos de executivos da Odebrecht “serve de alerta”. Segundo ele, ao invés de se dar ênfase à afirmação de Marcelo Odebrecht de que doações à campanha presidencial de Aécio em 2014 foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.


“O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE”, disse o ex-presidente. “É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa”, completa.


FHC disse que no importante debate travado no País é preciso se fazer distinções. “Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”, avaliou.


Para o ex-presidente, divulgações “apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais”. “A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando”, ponderou.


FHC disse que a desmoralização de pessoas a partir de “verdades alternativas” é injusta e não serve ao País, pois confunde tudo e todos. Ele conclui ser a hora de continuar a dar apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça.


Leia a íntegra da nota


Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem "noticias alternativas" para  confundir a opinião pública.


A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao país.


Parte do noticiário de hoje sobre os depoimentos da Odebrecht serve de sinal de alerta. Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.


O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE.


É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa.


Ademais, independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la.


Visto de longe tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos.


No importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas. Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção.


Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais.


A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando.


A desmoralização de pessoas a partir de "verdades alternativas" é injusta  e não serve ao país. Confunde tudo e todos.


É hora de continuar a dar apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça.


Fernando Henrique Cardoso

  Presidente de honra do PSDB

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