FHC critica reação negativa do presidente

Para tucano, movimentos de oposição ?fazem parte do jogo? e da democracia

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso sugeriu ontem, em São Paulo, que o PT e seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, revelam dificuldades para conviver com a democracia ao criticar o movimento Cansei. "Acho que a sociedade tem todo tipo de movimento, como o MST, o Cansei e o abaixo sei lá quem. No meu caso, o PT fez o Abaixo FHC logo após a segunda eleição, quando tive maioria absoluta. Mas isso é da índole da democracia e quem está no poder deve entender que faz parte do jogo", afirmou. Ele se disse doutor em vaias, por ter aturado muitas da oposição, principalmente do PT, nos seus oito anos no Planalto.Assim como FHC, o governador mineiro Aécio Neves (PSDB) também fez a defesa do grupo da sociedade civil. "O movimento é absolutamente legítimo e tem que ser compreendido como um movimento democrático de insatisfação em relação a determinadas ações do governo. Está longe de ser considerado algo golpista porque nós vivemos numa democracia e só nos regimes autoritários é que não se respeitam manifestações contrárias, de oposição."O ex-presidente, que participou do lançamento da revista Americas Quarterly, do Instituto Sangary e da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, também criticou Lula por, em sua opinião, nem sempre entender do que está falando ao declarar, em discurso, que quem o vaia está "brincando com a democracia"."Eu não sei a que ele está se referindo. Eu não acho que manifestar opinião seja brincar com a democracia, a qual não é uma opinião unânime, não é opinião de sua majestade. É a opinião do povo."Por fim, FHC tentou desconstruir a tese de alguns assessores do presidente Lula, segundo a qual as vaias na abertura do Pan do Rio, no Maracanã, dia 13, foram orquestradas."Quando é uma manifestação de massa, não é manipulação e, sim, um sentimento de quem está ali. Mas também não é de uma camada da sociedade. Não é de rico, porque os ricos têm medo de vaiar", comentou.

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