FHC critica política econômica adotada por Dilma

Para o ex-presidente, não se conseguem avanços concretos ao povo sem uma direção econômica bem estabelecida

Débora Bergamasco e Daiene Cardoso , Agência Estado

18 Junho 2013 | 20h12

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou seu discurso, durante evento na Câmara dos Deputados para comemorar os 25 anos do PSDB e 19 anos do Plano Real, para criticar a política econômica adotada pela presidente Dilma Rousseff. O ex-presidente disse que não se assegura a crença na democracia e não se conseguem avanços concretos ao povo se não houver uma "direção econômica bem estabelecida".

"E o termômetro disso é a inflação. Quando a inflação começa a inquietar, o povo se inquieta. Ele sente que o que está montado começa a desmoronar", avaliou, um dia após manifestantes tomarem a cúpula do Congresso Nacional na onda de protestos que tomaram conta do País.

O ex-presidente deu um conselho para sua adversária política: "A presidente tem que abrir os olhos" porque, para ele, o País vive hoje um momento de insatisfação motivado pela inflação, "pela carestia que está aí". "Veja a cara dela, pela cara dela está um pouco aflita, né?", disse FHC quando indagado se Dilma vive hoje um mau momento. E ofereceu outra dica, do alto dos seus 82 anos, também comemorados nesta terça. "Não se aflija, as coisas podem melhorar. Como? Trabalhando, trabalhando e corrigindo os erros."

Fernando Henrique afirmou ainda que "uma nova geração ganha as ruas" e que é preciso prestar atenção neste movimento que faz o País "vibrar". Apontando que hoje o dinheiro não chega "tão bem" ao bolso do brasileiro, o ex-presidente disse que o Brasil melhorou, que está "se transformando para melhor", mas "que nós queremos mais".

Para ele, ainda é preciso "melhorar a vida do povo" nas áreas de saúde, educação e dar uma perspectiva de futuro à população. E conclamou: "Está na hora de, quem sabe, uma virada no Brasil para melhor?".

No evento, FHC disse que seu partido fez muito pelo País e que a exposição serve para reconhecer esse papel. "Nós só queremos que a nossa parte seja reconhecida", afirmou. De acordo com ele, se o PSDB conseguiu fazer "muitas coisas", não as fez sozinho.

O presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afinou sua fala com a de Fernando Henrique. Para ele, foi seu partido que deu início a mudanças estruturais no Brasil, com o advento "da estabilidade econômica, com início dos programas de transferência de renda, com as privatizações essenciais à modernização da economia brasileira e a Lei de Responsabilidade Fiscal".

Já os avanços da gestão do ex-presidente petista Lula, segundo ele, aconteceram, "mas no leito dessas mudanças ocorridas no governo do Fernando Henrique". "Nós, diferentemente do PT, não temos dificuldade de reconhecer méritos nos nossos adversários e o presidente Lula teve dois grandes méritos: manter a política macroeconômica herdada do governo anterior e o segundo adensado os programas de transferência de renda. Hoje há um sentimento claro de que o Brasil precisa de um novo rumo, de um novo direcionamento", disse o provável pré-candidato à Presidência do partido no ano que vem.

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