FHC critica política comercial externa e prevê isolamento

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fez hoje uma dura crítica à condução da atual política comercial externa brasileira. Em palestra realizada na manhã desta quarta-feira na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), FHC destacou que se o Brasil não se reposicionar e avançar nas relações comerciais com os Estados Unidos, ficará isolado na América Latina. "Se não mudar, vamos ficar sentados eternamente em berço esplêndido. E eu espero que isto não ocorra", destacou.Sem citar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Henrique disse que os americanos já estão fazendo acordos com outros países latino-americanos. "E o Brasil está ficando isolado", disse mais uma vez. Com base nesta análise, o tucano disse que os Estados Unidos estão competindo com a produção brasileira no nosso próprio continente.Ainda nas críticas ao atual modelo que está sendo adotado pelo Governo petista, FHC disse que não adianta ficar colocando muitas apostas em todo o globo. "Temos que escolher as melhores oportunidades", e cutucou: "Temos que mudar a nossa participação (no comércio mundial) e não tem sentido fazer um eixo para integrar Cuba, Bolívia, Venezuela e Brasil".Relações com a ChinaNa sua avaliação, as relações comerciais com a China surgiram num momento de aperto. Apesar disto, criticou o fato de o Brasil estar exportando para aquele País, soja e manganês e minério de ferro. Em contrapartida, o ex-presidente citou que o Brasil está importando manufaturados da China, o que pode atrapalhar o mercado interno. "Temos que ver qual é o nosso real interesse", disse.Na palestra o ex-presidente disse que a América Latina vive um momento de populismo, o que gera a impossibilidade de atender as demandas crescentes do aparelho do Estado. "Temos que lidar com os nossos vizinhos como o Hugo Chavez, da Venezuela e Evo Morales, da Bolívia. Com o Chile não precisa lidar, são irmãos".Ainda nas críticas FHC disse que o Brasil precisa redefinir sua política energética, citando especificamente o gasoduto Brasil-Bolívia. Para o ex-presidente houve um retrocesso no Mercosul e também na Alca. Participou também do encontro o professor Abraham Lowenthal, da Faculdade de Relações Internacionais da Califórnia, nos EUA.

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