FHC critica ofensiva de Aécio por prévias

Ex-presidente ataca ideia do mineiro de campanha com Serra pelo País e diz que ''governadores têm de trabalhar''

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2009 | 00h00

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem não só o comportamento eleitoral da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como a campanha pelas prévias tucanas, sugerida pelo governador de Minas, Aécio Neves. Na condição de presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique afirmou que, hoje, as prévias são só uma ideia e ninguém pode ser contra a tese de uma escolha democrática. Mas deixou claro que será difícil pôr essa ideia em prática. Mesmo sem mencionar o convite de Aécio ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para que ambos percorram juntos o País, em pré-campanha para as prévias, o ex-presidente fulminou a sugestão: "Eles são governadores, têm de trabalhar. Não podem sair pelo Brasil a fazer prévias e não trabalhar." Antes da insistência de Aécio em favor da prévias, Fernando Henrique se posicionara a favor da escolha imediata do candidato tucano.Quanto às seguidas viagens de Dilma, inaugurando obras ou canteiros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em todo o País, observou que a democracia implica comportar-se de maneira adequada e, muitas vezes, as coisas não são ilegais, mas também não são apropriadas."Os tribunais têm de estar alertas com todo mundo, não só com a ministra. Tem de dar regra a quem está sendo cogitado (candidato)", sugeriu o ex-presidente, cobrando da Justiça que estabeleça limites para coibir abusos. "Já que o comportamento é um pouco desabusado, é melhor que se precise qual é o limite."De passagem por Brasília, para uma palestra no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), Fernando Henrique disse não saber se a motivação da ministra é eleitoral e tampouco mencionou a palavra campanha. Explicou que não queria "dar um passo além das pernas", antecipando-se à Justiça na avaliação sobre se Dilma estaria, ou não, fazendo campanha eleitoral.Mas lembrou a recente cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, e advertiu que é melhor coibir o abuso do que julgar com o mandato em curso. Ponderou também que, de qualquer modo, o excesso de viagens atrapalha. "Boa parte do tempo, alguém que é coordenadora do governo está se transformando muito mais em comunicadora do governo", justificou.CAVALOAo mesmo tempo em que afirmou que não faz das prévias "um fantasma ou um cavalo de quatro cabeças", destacou que, hoje, elas são ilegais. Apesar de ter defendido pressa na escolha do candidato do PSDB, ontem o ex-presidente fez a defesa da legitimidade das convenções partidárias, que, pela lei, só poderão ser realizadas a partir de junho de 2010. "Tem de seguir a lei. O resto é só conversa para passar o tempo."

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