FHC critica 'janela' nas regras da fidelidade partidária

Ele chamou o procedimento, apoiado por deputados de vários partidos, de 'um jeitinho' ruim para o País

Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 19h56

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso  criticou nesta terça-feira, 19, as articulações em curso na Câmara dos Deputados de abrir uma "janela" nas regras da fidelidade partidária, para que o parlamentar possa trocar de legenda durante um certo período antes das convenções partidárias. Ele chamou o procedimento, apoiado por deputados de vários partidos, de "um jeitinho", que não é bom para o País e nem para o futuro das agremiações políticas. E alertou: "Se abrir a janela, muita gente pula fora, acho que essas coisas devem ser feitas com seriedade". "Não acho que deva dar um jeitinho, não é bom", defendeu quando chegou ao Senado para abrir na Interlegis o ciclo de palestras sobre "O poder do Legislativo" no mundo.   Bem humorado, o ex-presidente foi recepcionado na chapelaria pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Rodeado por senadores do PSDB e DEM, brincou ao perceber que um tapete vermelho estava estendido até o gabinete de Garibaldi que momentos antes recebera o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono. "Vou pelo tapete ou não?", perguntou, enquanto se desdobrava para responder os cumprimentos na portaria do Senado.   Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique defendeu um regra equilibrada para quem quiser trocar de partidos. Segundo ele, não pode ser o que havia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agir, "quando as pessoas mudavam de partidos por razões puramente pessoais", mas entende que tampouco os parlamentares podem ficar "enjaulados". "Sei que não é fácil, mas há de se encontrar um ponto de equilíbrio". Uma das proposta que considera válida é a que havia na reforma partidária aprovada no Senado e engavetada na Câmara, que impedia o parlamentar que trocasse de partido de disputar eleição durante um certo período. "Agora, dar um jeitinho, eu sou contra", reiterou.   Sobre a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele negou que os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, estejam em campanha, seguindo o exemplo de Lula que defendeu na semana passada a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Coitado do Serra, está trabalhando sem parar em São Paulo; o Aécio também", afirmou. Fernando Henrique disse que considera "natural" o destaque dado à sucessão de Lula, mas alegou que os dois nomes mais fortes do PSDB para o cargo são "políticos experientes", conscientes de que um longo prazo de campanha não favorece a ninguém. "Eles sabem que se começarem a abrir o jogo agora, é ruim porque vão levar pedradas todo o tempo, eles estão trabalhando, ainda falta muitos meses", afirmou.   Quanto à disputa interna no PSDB, disse que a situação no partido é de calma, "de confusão pequeníssima" e que não faltará ocasião para ocasião para dialogar com os partidos, como o PMDB - ou com as bancadas. Mas lembrou que a principal opinião é a do povo. "É o povo na hora das eleições que vai abrir os olhos e dizer, ah, eu quero esse ou aquele candidato". "As bancadas vão sentir, os dirigentes também vão sentir e trabalhar ao redor de quem tem mais chance".

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