FHC critica gastos públicos do governo federal

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a questão da redução dos gastos públicos, tema muito defendido no seminário "Renovar Idéias: Política Monetária e Crescimento Econômico no Brasil", tem de ser analisada com muito cuidado. Segundo ele, é preciso enxugar as despesas do governo, mas não se pode tirar recurso da saúde e da educação.O ex-presidente criticou a forma com que o governo vem lidando com o problema do gasto público. Fernando Henrique não minimizou a questão da Previdência, mas ressaltou que a contratação de pessoal realizada no governo Lula inchou as despesas públicas, limitando qualquer possibilidade de aumento do investimento público em áreas prioritárias. "É claro que o governo gasta em juros, mas há uma série de outros gastos equivocados", disse.Fernando Henrique aproveitou a presença de conselheiros do Instituto de Estudos e Desenvolvimento Industrial (Iedi) e criticou publicamente os empresários. O ex-presidente disse que nenhum governo consegue fazer a reforma da Previdência sem o apoio popular. "E vocês nunca foram lá para apoiar a reforma", afirmou, criticando a falta de apoio do setor industrial quando a reforma da Previdência estava no Congresso. O ex-presidente disse que só estavam em Brasília aqueles contrários à reforma.Fernando Henrique também criticou aqueles que defendem o tripé responsabilidade fiscal, câmbio flexível e metas de inflação como a única forma de fazer o Brasil crescer. Para o ex-presidente, "o tripé é fundamental mas não resolve tudo. É preciso que haja uma política de desenvolvimento", afirmou, ressaltando que nos anos 1990 houve toda uma mudança na indústria brasileira, para melhor. "Isso aconteceu de forma espontânea ou teve dinheirinho do BNDES?", ironizou o ex-presidente. E completou: "o País não cresce sem políticas industriais ou agrícolas; não cresce sem apoio do governo".Dirigindo-se novamente aos empresários, Fernando Henrique disse que é preciso olhar para frente com mais otimismo, pois agora as condições são mais favoráveis ao crescimento, reduzindo-se o gasto público e investindo em infra-estrutura. "Se o governo não tiver recurso tem de pedir ajuda ao setor privado", ressaltou, dizendo que não se pode resumir toda a questão do desenvolvimento econômico à política monetária.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.