JF DIORIO/ESTADÃO
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FHC defende Supremo: 'Não ao golpismo'

Ex-presidente afirmou que ataques à Corte são contra a democracia; Collor, Temer e Sarney também saíram em defesa do STF

Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2020 | 20h26

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prestou solidariedade ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo, 14, e afirmou que os ataques à Corte são contra a democracia. Em mensagem publicada no Twitter, FHC disse que é preciso defender o País "antes que seja tarde".

"Os fogos vistos no YouTube e a voz tremebunda atacando-o são contra a democracia. Gritemos: não ao golpismo! Os militares são cidadãos: devem obediência à Constituição como todos nós. Defendamos juntos Brasil, povo e lei, antes que seja tarde", escreveu o ex-presidente. 

Pouco antes do fechamento da Esplanada dos Ministérios para veículos e pedestres a partir da 0h deste domingo, cerca de 30 manifestantes bolsonaristas autodenominados “300 do Brasil” simularam com fogos de artifício um ataque à Corte. Os fogos foram disparados às 21h30 na direção do edifício principal do STF, na Praça dos Três Poderes, enquanto os manifestantes xingavam os ministros.

Além de FHC, outros ex-presidentes já se manifestaram sobre os ataques. "A agressão física a Suprema Corte revela o desconhecimento de suas elevadas funções como um dos principais garantes da democracia integrada, como é, por juristas do maior porte e forjados na ideia de rigoroso cumprimento da Constituição Federal", escreveu Michel Temer.

O ex-presidente José Sarney prestou solidariedade ao presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, em nota em que classificou como "criminosa" a agressão ao STF. "Solidário à sua mensagem, junto o meu protesto contra inqualificável e criminosa agressão ao STF, guardião da Constituição, integrado por magistrados de altas virtudes culturais e morais. Peço para estender minha solidariedade a toda Corte."

Toffoli, reagiu neste domingo, 14, aos ataques e lamentou que os episódios têm sido estimulados por integrantes do próprio Estado. Em nota divulgada nesta tarde, Toffoli disse que “o Supremo jamais se sujeitará, como não se sujeitou em toda a sua história, a nenhum tipo de ameaça, seja velada, indireta ou direta e continuará cumprindo sua missão”. 

O ex-presidente Fernando Collor disse em sua conta no Twitter que atacar o STF é uma afronta à mais básica racionalidade democrática e uma ofensa à ordem constitucional. "Tentar amedrontar a Justiça com manifestações de ódio é intolerável."

O Ministério Público Federal determinou a abertura imediata de inquérito policial para investigar o ataque ao prédio do Supremo. Para a Procuradoria, os atos podem ser enquadrados na Lei de Segurança Nacional, nos crimes contra a honra, e também na Lei de Crimes Ambientais por abranger a sede do STF, situada em área tombada como Patrimônio Histórico Federal.

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