FHC critica assédio dos peemedebistas ao governador Aécio

Ex-presidente, no entanto, ponderou afirmando que a legenda tucana deve 'tratar bem o PMDB'

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2008 | 17h04

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou  nesta terça-feira, 2, o assédio de peemedebistas ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). "Querem a minha opinião sincera? Eu acho isso absolutamente fora de propósito. Eu conheço o Aécio a vida inteira, o Aécio é um homem de partido", disse FHC,  ao comentar as freqüentes especulações em torno de uma eventual saída do governador mineiro do PSDB caso ele não consiga se viabilizar como candidato à Presidência em 2010.   Ele, no entanto, ponderou afirmando que a legenda tucana deve "tratar bem o PMDB". "Ninguém ganha eleição no Brasil sozinho e o PMDB é um partido muito bem enraizado no País".  Embora sempre negue a possibilidade de mudar de partido, Aécio costuma ser cortejado publicamente por peemedebistas. Nos últimos dias, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, insistiu que o PMDB está de "braços abertos" para receber o governador tucano, afirmando que Aécio precisa ter a "coragem de mudar de partido" caso queira consolidar sua candidatura ao Palácio do Planalto. O argumento do ministro - que trabalha para ser candidato ao governo de Minas - é que a candidatura do governador de São Paulo, José Serra, está consolidada. Para Fernando Henrique, o PSDB precisa entender que Aécio "é um líder e como tal tem que ter todas as condições para se sentir cômodo no partido". "Então, não vai haver isso de ir para outro partido. Isso é conversa", concluiu, em entrevista concedida ao lado do governador mineiro.  O ex-presidente, que passou a noite de segunda para terça-feira no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governo do Estado, endossou a defesa de Aécio pela regulamentação das prévias partidárias caso não haja consenso em torno do próximo presidenciável tucano.  "Acho que regulamentá-las é algo positivo e utilizá-las se houver necessidade", reiterou o mineiro. "Mas, em havendo, nós não devemos temê-las, ao contrário, devemos vê-las - é a minha posição pessoal - como instrumento de mobilização do PSDB e isso pode facilitar, inclusive, a atração de outros parceiros para essa nossa jornada de 2010". Fernando Henrique destacou que "ninguém tem que ter medo de uma escolha democrática". "Isso é normal nos partidos". Observando que "não está na hora ainda de definições", o ex-presidente rebateu a afirmação de uma jornalista de que teria inclinação pela candidatura de José Serra. "A moça disse que eu aliso o governador de São Paulo. Eu aliso mais o de Minas. Eu vivo alisando um e outro". Crise  Ele disse também que espera que o PSDB não se beneficie da crise internacional para voltar ao poder, salientando que os tucanos têm de ajudar o governo no que for possível fazer para amenizar os efeitos da turbulência global na economia brasileira. "Acho que o PSDB deve ganhar (a eleição) independentemente da crise. A crise é sempre negativa. Eu não acho que seja bom você ganhar porque houve uma coisa negativa". PT  Questionado se a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff - nome mais cotado do PT para disputar a eleição presidencial - seria uma adversária difícil, Fernando Henrique desconversou afirmando que não sabia se ela é candidata. "Se ela for candidata, já estão abusando, porque ela está governo e estão falando nisso. Eu prefiro achar que ela não é". O ex-presidente disse que mantém um relacionamento "ameno" com Lula e ressaltou que o PT incorporou aspectos do projeto de governo tucano em relação à economia e área social. "As diferenças diminuíram. Não diminuíram tanto no que diz respeito ao modo como o partido lida com o governo, com o Estado, com a máquina pública". Ele afirmou que apoiou a aliança entre Aécio e o prefeito Fernando Pimentel (PT) na eleição em Belo Horizonte, observando que se tratava de "um contexto específico". "Não acho que a gente deva radicalizar posições a todo instante", disse. "Política não é uma guerra. Não somos inimigos, somos adversários. Em certas circunstâncias você faz armistício".  

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