FHC convencido de que escândalo acaba em cassação

O presidente Fernando Henrique Cardoso está convencido de que o escândalo da violação do painel de votação doSenado e o agravamento do caso Sudam acabarão em cassação.Segundo auxiliares próximos, ele não vê outro destino para opresidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e para os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José RobertoArruda (sem partido) que a perda do mandato.?Quem se opuser ao processo natural que já foi deflagrado, inclusive o governo, será consumido por ele?, tem dito FernandoHenrique.Em conversas reservadas com mais de um interlocutor nesta quarta-feira, o presidente demonstrou grande preocupação com anova ameaça de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para apurar denúncias de corrupçãocontra o governo federal.Segundo o relato de políticos e colaboradores próximos, ele mostrou-se temeroso quanto ao provável impacto negativo dachamada CPI da Corrupção sobre a economia do País, que já tem-se mostrado sensível às turbulências enfrentadas pelaArgentina.?O presidente acha que os fundamentos da economia brasileira estão bons, mas vê que o País está jogando umacartada e teme que isso venha a prejudicar o Mercosul?, contou o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto(PSDB-AM).?A única angústia do governo é não estar encontrando um clima político interno de coesão para enfrentar a criseexterna?, acrescentou.O deputado tucano foi um dos políticos recebidos pelo presidente no Palácio da Alvorada, sua residênciaoficial.A romaria de aliados começou logo cedo, com a chegada do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB). ?O presidente está preocupado com a economia?, endossou o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).Segundo ele,durante a avaliação que fizeram da crise política do Congresso, Fernando Henrique teria enfatizado que não teme nenhumainvestigação, mas sim que o clima de instabilidade política contamine a economia, num momento em que o cenário externomostra-se delicado.À noite, o porta-voz da Presidência, ministro Georges Lamazière, informou que o governo não tem nada atemer. ?Ele considera que o Congresso não servir de delegacia de polícia ou palanque eleitoral?, afirmou. ?O Congresso,entretanto, é o juiz do que deseja fazer?, acrescentou, frisando que a polícia e outras instâncias são mais adequadas para essetipo de investigação, que o governo já está fazendo.

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