FHC compara grampos da PF a práticas de regimes totalitários

Mesmo reconhecendo que o desempenhoda Polícia Federal melhorou no atual governo, o ex-presidenteFernando Henrique Cardoso comparou o volume de escutastelefônicas feitas pelo órgão a práticas das polícias secretasde regimes totalitários. Para o ex-presidente, falta bom senso e respeito a limitespor parte da PF. FHC usou como exemplo o filme alemão "A Vida dos Outros"(2006), de Florian Henckel von Donnersmarck, que mostra osistema de controle e vigilância sobre os cidadãos na Alemanhacomunista dos anos 1980. "Quer ter uma situação deste tipo no Brasil? Deixa a vidade cada um com liberdade. Quando houver uma suspeita, aí sim apolícia vai pedir à Justiça (o grampo). Agora, ouvirindiscriminadamente, meu Deus do céu!", disse o ex-presidente ajornalistas, nesta quinta-feira, no comitê de campanha docandidato à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). O debate sobre o grampo telefônico veio à tona na OperaçãoSatiagraha em que a Polícia Federal se utilizou da prática nainvestigação de crimes financeiros e que resultou na prisão emjulho do empresário Daniel Dantas, do ex-prefeito Celso Pitta edo investidor Naji Nahas. "A Polícia Federal melhorou. É uma questão de equilíbrio.Estamos em uma democracia ainda adolescente. As pessoas àsvezes abusam. É bom que haja uma polícia ativa, mas não quehaja uma polícia que não respeite certas regras", disse FHC. Ele afirmou ter sido grampeado "tantas vezes", mas que nãoteme que ouçam suas conversas ao telefone. "Não tem nada que eudiga em privado que não possa dizer em público."(Reportagem de Carmen Munari)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.