FHC começa articular aliança para a sucessão

O presidente Fernando Henrique Cardoso começa a coordenar, esta semana, o trabalho de articulação dos líderes regionais do PSDB e PFL para reeditar a parceria entre os dois partidos na corrida presidencial de 2002, montando bons palanques para o candidato da aliança nos Estados. Os presidentes nacionais do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PSDB, deputado José Aníbal (SP), programam para terça-feira a primeira conversa conjunta com Fernando Henrique."Esta costura nos Estados tem que ser feita pelos dois partidos, e não pelo governo", diz o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA). O senador Bornhausen concorda que PFL e PSDB começaram uma nova fase de relacionamento, com a reabertura do diálogo rompido desde a briga da sucessão no Congresso. Salienta, porém, que o trabalho de articulação tem que ser liderado por Fernando Henrique. "Precisamos fazer uma conversa conjunta com o presidente para verificar sua posição sobre as ações comuns e para conhecer seu cronograma", explica Bornhausen.O presidente do PFL acredita que, sem o cronograma do Planalto, o exame das condições políticas da aliança em cada Estado torna-se mais difícil. O tal cronograma reclamado por Bornhausen inclui sobretudo os planos de Fernando Henrique no que diz respeito não só ao formato da operação política no Congresso, como à reforma ministerial.Os pefelistas reivindicam uma das três lideranças governistas no Congresso, até recentemente entregues ao PSDB. Tanto que o partido vetou o convite feito ao senador Geraldo Melo (PSDB-RN), para que assumisse o posto de líder no Senado, vago desde a saída do ex-senador José Roberto Arruda (DF). Também querem saber quando Fernando Henrique vai escolher a equipe de governo que tocará a administração até o fim de seu mandato. A reforma ministerial está prevista para dezembro, embora a lei confira aos candidatos prazo até abril para deixarem o governo.Desafios - "Se conseguirmos chegar até o fim do ano sem apagão e sem agravamento na crise econômica, o candidato do governo ao Planalto será competitivo", aposta, otimista, o vice-líder do PSDB, deputado Custódio Mattos. Os tucanos apostam no impacto positivo sobre a campanha eleitoral do início do pagamento das perdas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) no ano que vem, e dos programas sociais importantes como o bolsa-escola e o projeto Alvorada, com investimentos de R$ 1,3 bilhão só em obras de saneamento.Mas nem assim a montagem da parceria em colégios eleitorais importantes como Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia será tranqüila. Tanto que o presidente do PSDB planeja reunir-se na terça-feira com os líderes tucanos de Minas. "Os encontros regionais continuam, para um exame mais objetivo do quadro, mas é preciso que o presidente Fernando Henrique esteja à frente disso, liderando, até porque ele é o político mais importante do nosso grupo", pondera o ministro da Previdência Social, Roberto Brant (PFL).O ministro lembra que Minas é um dos casos complicados de costura estadual, dada a fartura de candidatos tucanos e pefelistas. Afinal, são pré-candidatos ao governo estadual o próprio Brant, seu colega das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB) e o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB), entre outros. "O PFL mineiro tem 156 prefeitos, 9 deputados federais e um senador", destaca Brant, observando que, se o acerto não for bom para o PFL, "o acordo não vai funcionar".No Rio de Janeiro, a costura será feita em torno do prefeito César Maia, que acaba de voltar ao PFL em uma articulação que envolve sua candidatura ao governo estadual ano que vem. Tanto é assim que toda a cúpula pefelista, na qual se incluem os representantes da executiva nacional, os seis governadores e o vice-presidente Marco Maciel, tem reunião marcada no Rio no dia 17. Maia, aliás, é o grande incentivador da candidatura da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), ao Planalto.Diante da má performance do ministro da Saúde, José Serra (PSDB), nas últimas pesquisas eleitorais, Maia insistiu muito no lançamento de Roseana junto aos cardeais pefelistas esta semana, argumentando que ela já está na frente de Serra sem nem mesmo ser candidata, e que tem muito espaço para crescer.Mas a parceria com o PSDB em torno de Roseana é uma operação dificílima, sobretudo no Maranhão. A dose de hostilidade entre tucanos e pefelistas no Estado aumentou sobretudo depois de uma visita de Aécio Neves a São Luiz há cerca de um mês, em que o deputado fez um discurso contra o caciquismo na política. O troco foi imediato. Dos quinze prefeitos tucanos do Maranhão, Roseana cooptou sete para o PFL em uma semana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.