FHC começa a desenhar novo ministério

O presidente Fernando Henrique Cardoso quer iniciar a próxima semana com a nova estrutura de governo e os nomes dos novos ministros desenhados. Durante os feriados de carnaval, o presidente debruçou-se sobre o estudo elaborado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, que norteará os dois últimos anos de governo. O programa será submetido aos líderes partidários para que o avalizem politicamente. O partido que apoiar fica, o que não apoiar, sai. Mas, como a expectativa é de que não haja resistências, uma vez que se trata de um grande reforço na área social, a previsão é de que as mudanças sejam pontuais, atingindo de 20% a 25% do ministério. A partir desse novo plano de ação, o presidente recomporá o governo, tanto na área política como na administrativa. Dentro dessa estratégia, Fernando Henrique deve contar com o apoio da ala do PFL vinculada ao vice-presidente Marco Maciel. Ele até mesmo conversa diretamente com o presidente sobre o futuro papel do partido na nova fase de governo. Apesar da oposição radical do grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que abrirá uma dissidência explícita no PFL, há garantias de que os pefelistas vão colaborar com o governo na manutenção da maioria parlamentar no Congresso, necessária para os próximos dois anos. "A primeira grande ação do governo é recompor com o PFL e o PSDB não será complicador disso", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Juthay Magalhães Júnior (BA). Questões urbanas A expectativa dos tucanos é em relação à possibilidade de Fernando Henrique dar prioridade às questões urbanas na nova fase de governo. Foi justamente a falta de política para as médias e grandes cidades, um dos motivos do baixo desempenho do PSDB nas eleições municipais. O presidente sabe da sede de poder da legenda, que, depois de alcançar a presidência da Câmara, pela própria força, acha que tem direito a mais espaço no governo. Alguns tucanos lembram, com reservas, que está na hora de recuperar o tempo perdido porque, desde o início do mandato de Fernando Henrique, tiveram de abrir mão das pretensões, e ceder aos demais aliados, para garantir a governabilidade. No entanto, Magalhães Júnior tem alertado para a importância tucana no governo, citando, como exemplo, os dois ministros da área social, José Serra (Saúde) e Paulo Renato Souza (Educação).

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