Leonardo Soares/AE - 29.09.2011
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FHC cobra aproximação do PSDB paulista com a periferia para 2012

Em encontro público dos pré-candidatos à Prefeitura de SP, ex-presidente sugeriu estratégia para evitar distanciamento do eleitor

Daiene Cardoso, da Agência Estado

22 de outubro de 2011 | 17h58

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou de seu partido, o PSDB, mais proximidade com os paulistanos no período de definição do candidato da legenda que vai disputar a eleição municipal de 2012. Neste sábado, 22, após participar do primeiro encontro público dos quatro pré-candidatos tucanos em uma universidade localizada em área nobre da cidade, FHC pediu que o partido realize mais eventos "na periferia e em áreas mais longínquas" da cidade. "Ou chegamos mais perto ou o fosso entre o homem público e a sociedade vai aumentar", justificou o ex-presidente.

 

Fernando Henrique foi o convidado especial do lançamento do portal "Sua Metrópole", espaço virtual colaborativo que vai concentrar discussões e propostas a serem aproveitadas na plataforma de governo do partido em 2012. "Acho que tem que chegar cada vez mais próximo, não só da periferia, mas de toda a cidade. O partido tem de estar em toda a cidade. Eu gostei disso aqui, foi um bom ponto de partida", avaliou o ex-presidente, após ouvir a exposição dos pré-candidatos sobre suas visões de "metrópole sustentável".

 

Os 38 minutos de exposição de FHC foram acompanhados pelos secretários estaduais Bruno Covas (Meio Ambiente), Andrea Matarazzo (Cultura), José Aníbal (Energia) e o deputado federal Ricardo Trípoli, pré-candidatos da sigla. Em seu discurso, Fernando Henrique disse que nas grandes metrópoles a população não quer apenas quantidade e acesso aos serviços, quer qualidade e atenção. "As pessoas querem mais do que ter números, querem saber o que (os prefeitos) vão fazer para que sintam que estão vivendo decentemente, querem saber se a qualidade de vida melhorou. Isso será uma demanda crescente nas cidades que já têm um mínimo de integração. E as pessoas vão exigir muito mais das prefeituras", avaliou.

 

O ex-presidente sugeriu que o futuro candidato do PSDB olhe a cidade e seus problemas com "carinho". "O que falta é ter carinho, ter atenção. Vão ter de continuar investindo em infraestrutura, como o Rodoanel e o Metrô, mas têm de ir além porque as pessoas querem mais e mais", afirmou. "Não é só fazer, é fazer decentemente, não roubar, ter transparência em suas decisões, prestar atenção na injustiça e na desigualdade e, portanto, ter carinho para com as pessoas", completou.

 

O primeiro encontro dos pré-candidatos não teve a presença do ex-governador José Serra e do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Segundo a direção do partido, os ausentes serão convidados nos próximos eventos, que também devem acontecer em universidades de outras regiões da cidade, como recomendou FHC. "O PSDB não está longe da periferia, pelo contrário. A nossa ideia é fazer este debate com a periferia", garantiu o presidente do diretório municipal, Julio Semeghini. Hoje, a reunião foi no Teatro Faap, em Higienópolis, apenas para tucanos e convidados da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). O público geral acompanhou o encontro pela internet.

 

Propostas. Os pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo deram nesta manhã uma pequena mostra sobre o que pretendem usar para convencer os militantes nas prévias. Primeiro a discursar, José Aníbal citou os ex-governadores Mário Covas e André Franco Montoro, defendeu a descentralização da gestão municipal e disse que é importante combater a injustiça social na cidade. "A cidade de São Paulo é muito desigual", concluiu.

 

Já Ricardo Trípoli disse que o transporte público na cidade é o problema que mais tem lhe chamado a atenção. "Eu mesmo já pego congestionamento dentro do meu estacionamento", reclamou. O deputado arrancou risos da plateia ao comentar que o governo do Butão, país asiático, define o índice de desenvolvimento no país através do grau de felicidade das pessoas. "No Butão são 700 mil habitantes, é um país onde as pessoas vivem felizes. São Paulo tem 11 milhões de habitantes, é o terceiro orçamento do País, e as pessoas não estão felizes. Alguma coisa tem de existir para que essa matemática seja feita. Não que o Butão seja uma grande referência, mas alguma coisa esquisita está ocorrendo", comentou. Andrea Matarazzo, que falou na sequência, não perdeu a oportunidade de ironizar o deputado. "É melhor ser triste em São Paulo", brincou.

 

Terceiro a se apresentar, Matarazzo usou seus cinco anos de experiência como secretário municipal para fazer um discurso de candidato e destrinchar os problemas da cidade. Em sintonia com FHC, o atual secretário estadual de Cultura defendeu uma cidade "mais amigável" para os moradores. "Para a cidade ser agradável, as ruas precisam estar limpas, as praças precisam da grama cortada, as flores precisam estar em ordem, os buracos das ruas tampados e as calçadas em ordem", resumiu. Matarazzo disse que, se for o candidato tucano, defenderá que o cuidado com as calçadas seja de responsabilidade da prefeitura. Em sua fala, ele revelou que tem uma obsessão na cidade: o muro da Cidade Universitária, na Marginal do Pinheiros. "Por que não tirar aquele muro da USP e colocar uma grade leve ou vidros? Isso libertaria a paisagem", propôs.

 

Numa crítica à gestão do prefeito Gilberto Kassab, Matarazzo citou a falta de limpeza dos bueiros e previu mais enchente no próximo ano, principalmente nos tradicionais pontos de alagamento da cidade. "É um desrespeito com a população porque as enchentes são históricas", apontou.

 

Bruno Covas, o favorito do governador Geraldo Alckmin, foi o último a falar. O neto do ex-governador Mário Covas fez um discurso em defesa da acessibilidade e reclamou da concentração em algumas regiões da cidade das áreas de lazer e cultura. "Em qualquer fim de semana ou feriado prolongado aqui a gente vê o êxodo, o esvaziamento da cidade devido à falta de opções de lazer e cultura na cidade. É preciso ter uma desconcentração dos espaços públicos", disse o secretário.

 

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