JF Diorio, Fabio Motta e Dida Sampaio/Estadão
JF Diorio, Fabio Motta e Dida Sampaio/Estadão

FHC, Ciro Gomes e Marina Silva defendem união de forças pela democracia

Condução da pandemia do coronavírus também foi tema do debate; FHC atacou tentativa de ocultação de dados sobre o avanço da doença no Brasil

Marcela Guimarães, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2020 | 18h00

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e os ex-ministros Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), concordaram em unir forças em uma frente ampla para defender a democracia, deixando as diferenças políticas e partidárias no passado. Durante um debate promovido no domingo, 7, pela jornalista Miriam Leitão, na GloboNews, Fernando Henrique disse que a luta atual não é só política, é social e econômica. “Não podemos nos calar”, afirmou o ex-presidente. “O passado ficou no passado, agora temos que unir forças.”

Marina Silva, que disputou as últimas três eleições presidenciais, disse que os líderes políticos devem agora ter a responsabilidade de compartilhar a luta pela democracia. Ela relacionou a crise política com a grave pandemia do novo coronavírus, que coloca o País como o terceiro no mundo em número de vítimas fatais. “Acima de nós há 36 mil mortos por covid-19 e a defesa do Estado de Direito”, disse. “É com esse espírito que homens públicos e a sociedade civil estão se mobilizando.”

Ciro foi ainda mais incisivo sobre a posição de figuras e partidos políticos contra o que chamou de “escalada do autoritarismo”. O ex-ministro e ex-presidenciável também mandou uma mensagem para quem ainda não se posicionou. “Vamos defender a democracia e quem não vier é traidor”, disse Ciro.

Ele expressou a defesa de uma frente que deixe de lado diferenças político-partidárias ao afirmar que “ninguém do povo vai entender a superficialidade de qualquer um de nós que, por mimimi, por manha, por marra, não cumpra sua tarefa de proteger a democracia que custou vidas a vários brasileiros”.

Ciro ainda ressaltou a presença no debate de FHC, de quem se distanciou e passou a ser crítico. “Ele com todos os títulos aceita debater conosco, especialmente comigo, que nem sempre fui tão cordial nas críticas que lhe fiz, embora sejam todas no plano das ideias. Quero agradecer, foi especial para mim essa convivência.” 

Ciro também destacou a crise na saúde, com 23 militares ocupando espaços no Ministério da Saúde. Ciro observou que a pasta ainda tem “liderança provisória” em meio à pandemia sem controle no País. “Não creio em um golpe de (Hamilton) Mourão (vice-presidente da República), mas há 23 militares na Saúde”, ironizou. “Quero saber se os militares vão querer ser responsabilizados por essa tragédia”, afirmou.

‘Pedaladas’. Marina Silva afirmou que a tentativa do governo de esconder dados sobre mortes da covid-19 no Brasil é crime de responsabilidade dizendo que militares estão preocupados em “pedaladas pandêmicas”. Ela sugeriu que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), crie uma comissão técnica para coordenar o acompanhamento da pandemia. “Rodrigo Maia tem condições para isso”, afirmou Marina.

FHC também atacou a tentativa de ocultação de dados sobre o avanço do coronavírus no Brasil, dizendo que não dá mais pra esconder nada de ninguém, já que há imprensa livre e combatente, além das redes sociais. “A direita no poder não consegue ver a realidade e se agarra a fantasmas. Governar não é criar dissenso, mas criar consenso.”

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