FHC chama Malan e Serra de "insuportáveis"

O presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou hoje a posse do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Sérgio Amaral, para brincar com dois potenciais candidatos do governo à sucessão dele: os ministros da Saúde, José Serra, e da Fazenda, Pedro Malan. Bem humorado, disse à platéia que ele era uma das poucas exceções em uma equipe que classificou como cheia de gente teimosa. "Em matéria de teimosia esse ministério está cheio, o ministro Malan é insuportável e eu não cito o ministro Serra para que ele não fique zangado, dizendo que não é assim. Mas é", disse o presidente.Junto com a platéia, os dois ministros riram quando o presidente frisou que a teimosia é uma "virtude" que ele próprio não tem. "Alguns não são teimosos, eu não sou", afirmou.Refratários à discussão sobre uma eventual candidatura, os dois ministros têm preferido negara intenção de ocupar o posto que será deixado por Fernando Henrique daqui a 16 meses. Nos bastidores do poder, Fernando Henrique defende as duas candidaturas e o nome predileto varia de acordo com o interlocutor.A presença de dezenas de parlamentares e governadores e empresários confundiu o presidente, que chegou a qualificar como ministros o presidente interino do Senado, Edson Lobão (PFL-AM), e o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB). AlckminEm São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse hoje que considera natural que Fernando Henrique trabalhe pela filiação de Malan ao PSDB. "Acho até que o ministro já devia estar filiado. É capaz, tem espírito público, é um dos grandes quadros do governo e é muito natural que tenha vida partidária", disse. Alckmin não soube dizer, no entanto, se a insistência presidencial em relação à Malan seria parte de uma estratégia para preservar o futuro candidato do partido. O recurso também permitiria manter ativa, no cenário pré-eleitoral, a única voz que defende o governo e rebate as críticas dos candidatos da oposição. "Isso quem pode responder é o presidente Fernando Henrique", afirmou.Na avaliação do governador de São Paulo, Malan pode até vir a ser o candidato do presidente Fernando Henrique, mas isso não significa que o PSDB tenha que aceitá-lo. "A posição do presidente é importante, mas é evidente que o candidato será escolhido em convenção. O presidente vai discutir com o partido, essa é a característica tucana", disse.A entrada do ministro Malan no PSDB - o prazo para as filiações partidárias com o objetivo de disputar as eleições de 2002 vai até 5 de outubro - é vista por Alckmin como um movimento que fortalece o partido e não uma candidatura. "O Brasil precisa ter partidos com programas, propostas, com fidelidade partidária. O fortalecimento dos partidos é o fortalecimento da democracia", disse.Sobre a escolha do candidato para disputar a eleição presidencial, Alckmin voltou a afirmar que ainda é cedo para o PSDB definir um nome. "Acho que ela só deve ser feita no ano que vem. O PSDB sempre se caracterizou por ter bons quadros, com serviços prestados ao País, respeitados e por isso tem vários nomes", disse Alckmin. "No momento oportuno escolherá um deles."

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