FHC chama de "almas tortuosas" os que criticam seu governo

O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chamou de almas tortuosas hoje em Marco, a 230 quilômetros de Fortaleza, os "que não têm o que fazer" e acusam o seu governo de se preocupar apenas com o controle da inflação e com a estabilidade econômica, lembrando que nunca se fez, na história republicana, tanto esforço, como agora, visando a redução da desigualdade social e a melhoria da qualidade de vida dos mais pobres. Segundo ele, "os que não têm a alma tortuosa e vêem o que acontece no Brasil" sabem do investimento em programas "que não aparecem, mas que ficam e que estão mudando o País".Ele citou especialmente o Bolsa-Escola e o Saúde na Família, além da promoção do acesso à terra, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e da criação do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). "São R$ 20 bilhões (com todas as ações na área social) que chegam diretamente ao povo, eliminando o clientelismo", afirmou ele.Fernando Henrique fez uma comparação dos indicadores sociais com o Produto Interno Bruto (PIB). "O PIB às vezes, cresce, às vezes não, pois não depende apenas de nós, mas de fatores externos", disse ele."Nunca tivemos crescimento negativo do PIB, que muitas vezes foi frustrante, não se alcançou o que se esperava, mas todos os indicadores sociais cresceram nesses seis anos e meio de governo".O presidente fez estas declarações em discurso na Barragem de Santa Rosa, município de Marco, durante a inauguração do Projeto de Irrigação do Baixo Acaraú, onde recebeu aplausos, elogios e o reconhecimento do governador Tasso Jereissati (PSDB) e de cinco mil pessoas que prestigiaram o evento, pela obra que é considerada uma possibilidade de redenção econômica da região. Os três municípios diretamente beneficiados com o projeto - Marco, Bela Cruz e Acaraú - lhe concederam título de cidadão, entregues pelos presidentes das Câmaras municipais.O presidente chegou com 55 minutos de atraso à solenidade, acompanhado do governador e dos ministros do Planejamento, Martus Tavares, e da Integração Nacional, Ramez Tebet. Ao chegar ao palco armado para a solenidade, recebeu os aplausos do público com os braços para cima e de mãos dadas com os três acompanhantes. Ao sair, dirigiu-se ao cordão que isolava a multidão, apertou mãos e recebeu beijos, ao som da "Oração de São Francisco", cantada por Fágner.Ele disse que concluir a obra foi obrigação do seu governo e garantiu que vai vibrar quando voltar ao Ceará e vir os 8 mil hectares que hoje dispõem de toda a infra-estrutura de irrigação transformada em um pólo de exportação. Ele disse esperar que isso aconteça num governo liderado por um aliado seu, mas afirmou que a alegria será a mesma "seja quem vier a ser o presidente".O presidente iniciou o seu discurso falando sobre os "anos de amizade constante" com Tasso Jereissati. "Brigas entre nós só vejo na imprensa, nunca existiram", afirmou ele, bem humorado. Antes, o governador havia ressaltado que "nunca, na história do Brasil, nenhum governo investiu tanto no Ceará como o de Fernando Henrique". E garantiu que o povo do Ceará "saberá ser grato a esse presidente". Tasso lembrou as dificuldades externas e especialmente internas para a conclusão do Projeto de Irrigação, que se arrastava desde 1993 e as calúnias e difamações que teve de enfrentar por parte dos "agourentos de sempre, os que usam a miséria do povo como bandeira de existência política".O ministro Ramez Tebet disse ser um ministro do Centro-Oeste com coração nordestino e "que será um ministro do Nordeste pela certeza de que ajudando o Nordeste estará ajudando o Brasil". Martus Tavares frisou que o projeto de irrigação é fundamental e estratégico, sendo complementado por outros projetos que também estão recebendo investimento do governo federal - o Tabuleiro de Russas e o Castanhão.Os prefeitos de Marco, Jorge Osterno (PSDB), de Acaraú, Magda Gomes (PSD) e de Bela Cruz, Vanúsia de Oliveira (PSDB) decretaram feriado nos seus municípios para que a população pudesse prestigiar o presidente da República. Eles transportaram cerca de 5 mil pessoas - especialmente estudantes, professores e funcionários públicos - em ônibus, caminhões e vans. Todos ganharam boné do Governo Federal e lanche. No local da solenidade, foi armado um toldo que cobriu uma área de 2,1 mil metros quadrados, para proteger as pessoas do sol. Muitos, porém, não couberam embaixo da sombra.

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