Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

FHC avalia que processo de impeachment de Dilma pode demorar com Lula na Casa Civil

Em avaliação a interlocutores, tucano diz que petista é competente na articulação política e pode continuar cooptando políticos, principalmente os ligados a pequenos partidos, a apoiarem o governo

Aline Bronzati e Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 17h56

A ida de Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil pode dificultar os planos da oposição e de setores do PMDB que defendem a rápida tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A avaliação foi feita hoje pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a interlocutores, com base na constatação de que Lula é competente na articulação política e pode continuar cooptando políticos, principalmente os ligados a pequenos partidos, a apoiarem a gestão do governo que agora faz parte.

Por isso, o ex-presidente tucano, assim como políticos da oposição, acredita que o trabalho no Congresso, de convencimento de parlamentares que votem a favor do impedimento de Dilma Rousseff, será mais árduo. E o foco terá de ser prioritariamente os partidos pequenos, pulverizados e considerados de maior volatilidade, porém, fundamentais para dar quórum à proposição da oposição. Aos interlocutores FHC reconheceu que Lula é inteligente, portanto a oposição terá muito trabalho pela frente.

Mesmo com o reconhecimento da capacidade de articulação de seu adversário político, Fernando Henrique não escondeu, em palestra na manhã desta quarta-feira, 16, a empresários do setor de seguros, as rusgas com o petista. Sem citar o nome de Lula, FHC fez uma menção pejorativa ao ex-presidente da República e, agora, ministro-chefe da Casa Civil: "Tem que ter cabeça nova, não é só ser político, é preciso conhecimento. Conhecimento é fundamental, você não pode dirigir esse País sendo analfabeto. Não dá."

FHC culpou Lula pela deterioração dos instrumentos de governabilidade que vemos hoje no País. Com um sistema presidencialista, o presidente precisa de maioria para governar e, portanto, é necessário fazer coalizão. O ex-presidente tucano lembrou que quando Lula assumiu a Presidência da República, em vez de priorizar as alianças com as grandes legendas, foi atrás dos pequenos partidos, ampliando o imenso leque de partidos em sua base de apoio. "E ao fazer essas alianças, abriu espaço para o escândalo do mensalão", exemplificou. E disse que é impossível governar com tanto partido e fragmentação, não só para Dilma, mas para qualquer um

Jesus Cristo. Fernando Henrique Cardoso evitou a imprensa após o evento e não fez menção direta à delação do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) que cita tucanos, como o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e diz que a corrupção na Petrobrás já ocorria antes do PT chegar ao poder, o que inclui a sua gestão. Na palestra, no entanto, FHC disse que desvios e corrupção sempre ocorreram ao longo de toda a história, "até mesmo nos tempos de Jesus Cristo".

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