FHC apoia abrir arquivos, ‘mas não vão achar nada'

Ex-presidente aprova instalação da Comissão da Verdade, mas acha que ela teria sido mais eficaz se criada 'lá atrás'

Jamil Chade, correspondente,

25 de janeiro de 2011 | 23h00

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta terça, 25, ao Estado ser a favor da abertura de todos os arquivos da época do regime militar, mas admitiu que a dificuldade será encontrar os documentos. "Eu mesmo falei com eles (os militares) quando presidente e eles insistem que não há documentos", afirmou. Acrescentou ainda ser contra a ideia de prolongar o sigilo por mais 50 anos - o que está no decreto 4.553/02, em cujo texto ele colocou suas iniciais em seu último dia no Planalto. "Sou contra isso, temos sim de abrir os arquivos", acrescentou.

 

 

 

Sobre a dificuldade de encontrar novos documentos, acredita que o Exército diz a verdade. "Claro que havia, como não haveria. Mas foram jogados fora. Os responsáveis tiraram. Essa é que é a questão mais grave. Pode ser que descubram documentos. Mas, oficialmente, pode abrir à vontade que não vão achar nada", alertou FHC.

 

 

 

 

Ele se declarou também favorável à criação de uma Comissão da Verdade, como sugere a presidente Dilma Rousseff - mas questiona a eficiência dessa iniciativa, quase 20 anos após o fim da ditadura. "Talvez fosse mais eficiente se tivéssemos criado isso tudo mais lá atrás. Muitas pessoas já morreram. E morreram dos dois lados. Hoje, seria mais um trabalho de memória."

 

 

 

 

O ex-presidente defende que essa memória seja respeitada e que as verdades sejam reveladas: "Acho que ainda vale a pena a ideia da Comissão." Ele afirmou, ainda, que não se pode comparar o que ocorreu no Brasil com a ditadura no Chile ou a situação em alguns países africanos.

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