FHC apela para o PFL ficar no governo

O presidente Fernando Henrique Cardoso fez na noite desta segunda-feira, em reunião no Palácio da Alvorada, um apelo aos três ministros do PFL - dos Esportes, Carlos Melles; das Minas e Energia, José Jorge; e da Previdência, Roberto Brant - para que permaneçam no governo e que o PFL continue integrando a base aliada até o fim do seu mandato. Brant assegurou que o PFL votará a favor da aprovação da CPMF no Congresso, lembrando que essa decisão já foi tomada anteriormente. Ao deixar a reunião, Brant disse que a decisão do partido a respeito será tomada quinta-feira pelo partido, mas adiantou que a conversa com o presidente vai pesar na definição. "Eu acho que pesa; um apelo fraternal do presidente acho que sempre se leva em consideração", disse Brant, reiterando que Fernando Henrique é um "amigo do PFL". "Uma conversa nesse tom com o presidente da República, ele tendo aberto o coração conosco e falando com muita veemência dos interesses que estão em jogo, que são os interesses do País e não dos partidos - é claro que isso tem que ser levado em conta", disse Brant. Ele informou que ainda nesta segunda-feira falará com o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, e com a governadora do Maranhão e presidenciável do partido, Roseana Sarney, sobre o teor da conversa com Fernando Henrique. O ministro da Previdência disse também que, antes de viajar para a Panamá nesta terça-feira, Fernando Henrique deverá manter contato com Roseana e Bornhausen. Brant relatou que o presidente disse que o PFL "é importantíssimo para a manutenção da governabilidade do País" e negou envolvimento do governo na apreensão de documentos na empresa de Roseana Sarney e seu marido, Jorge Murad, pela Polícia Federal. "Ele reiterou que o governo não tem a mínima participação nesses episódios e que, portanto, não há nenhuma razão para que o PFL se retire do governo agora", disse Brant. O ministro afirmou, no entanto, que uma eventual coligação nas eleições entre o PFL e o PSDB, em primeiro turno, "está fora de cogitação", embora ressalvasse que isso poderá ocorrer no segundo turno. Ele disse que o presidente garantiu não ter preferência por nenhum dos pré-candidatos da base governista e voltou a criticar o procedimento da PF, argumentando que a ação da polícia, da forma como foi feita, "é inaceitável e representa a saída do Estado de direito". Além dos três ministros pefelistas participaram do encontro com o presidente, que durou cerca de uma hora e meia, os ministros-chefes da Secretaria Geral da Presidência, Arthur Virgílio, e da Casa Civil, Pedro Parente, além do presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG).

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