FHC aparece na TV pela primeira vez e pede votos para Aloysio Nunes

Já Alckmin voltou a esconder Serra e Mercadante continua tentando vincular sua imagem à de Lula

Gustavo Uribe, Ivan Fávero e Bruno Tavares / SÃO PAULO, Agência Estado e O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 21h51

O ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, apareceu nesta sexta-feira, 20, pela primeira vez no horário político eleitoral para apoiar um candidato tucano. O escolhido foi Aloysio Nunes Ferreira, que concorre a vaga no Senado. A aparição contrariou expectativas de quem achava que a imagem de FHC seria vinculada ao candidato a presidente José Serra ou ao candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin.

 

Página especial traz vídeos, análises e a íntegra do programa eleitoral no rádio

 

No vídeo de 53 segundos, o ex-presidente lembrou a época de ditadura, em que, ao lado de Aloysio Nunes, lutou pela redemocratização do País. Elogios sobre a competência e o poder de oratória do candidato foram utilizados pelo ex-presidente. "Ele fala bem, ele defende causas, ele é claro e ele é corajoso." Referindo-se a Aloysio Nunes apenas pelo primeiro nome, FHC afirmou que o candidato foi "um grande parlamentar" e por isso o chamou para ser ministro da Casa Civil e do Ministério da Justiça.

 

Para finalizar sua argumentação no horário eleitoral, FHC disse duas vezes que não há ninguém melhor que Aloysio Nunes para representar São Paulo no Senado da República.

Em seguida, no mesmo programa, o candidato tucano à Presidência, José Serra, também deu seu apoio a Aloysio Nunes, ressaltando que o candidato foi seu “braço direito” durante o governo de São Paulo. O candidato do PSDB ao governo do Estado, Geraldo Alckmin foi na mesma linha, pedindo votos para o colega de partido e para a coligação Unidos Por São Paulo.

 

'Se está ruim para ambas as partes, é Geraldo governador'

 

Já Alckmin abriu seu espaço no horário eleitoral com uma crítica indireta ao PT. "Ih, esse negócio de ficar criticando e falando mal é ruim, hein!?" Em seguida, o locutor fez uma referência ao famoso jargão de Celso Russomanno (PP), rival de Alckmin na disputa pelo governo: "Se está ruim para ambas as partes, é Geraldo governador." O programa apropriou-se também do famoso bordão de Lula para destacar as realizações do PSDB em São Paulo: "Nunca antes na história de São Paulo um governo investiu tanto na saúde."

 

A defesa da gestão do PSDB na saúde em São Paulo deu à tônica do programa, sem que isso significasse um espaço maior para o presidenciável tucano, José Serra. O candidato do partido ao Planalto tem no tema sua principal vitrine eleitoral, uma vez que foi ministro da Saúde no governo FHC. Ao todo, Alckmin citou o ex-governador em apenas duas oportunidades.  

Nos 6min56s de inserção, Alckmin listou iniciativas do governo estadual como os Ambulatórios Médicos de Especialidades (Ames) e o programa Dose Certa, além do projeto de saneamento Onda Limpa. Em defesa da gestão tucana, a inserção enumerou dados sociais que colocam São Paulo à frente dos outros Estados do País. "A maior rede de saúde, o menor índice de mortalidade e a maior expectativa de vida", disse o locutor. Outra iniciativa destacada pelo PSDB foi o Centro do Idoso, um local de entretenimento para terceira idade que Alckmin prometeu levar para Campinas, Baixada Santista e região do ABC.

 

Mercadante: 'ETCs são boas, mas para poucos'

 

O programa eleitoral do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, fez no horário eleitoral na TV desta sexta-feira, 20, à noite, críticas às Escolas Técnicas Estaduais (ETCs). “Elas são boas, mas para poucos”, assinalou. Em mais uma tentativa de colar sua imagem à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estratégia que segue desde o início da propaganda eleitoral gratuita, na terça-feira, Mercadante defendeu que São Paulo adote na esfera estadual o modelo do ProUni, o Programa Universidade para Todos, instituído pelo governo federal em janeiro de 2005.

 

O programa tem como finalidade conceder bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior. A proposta de Mercadante de criar um ProUni estadual não é nova. No final do ano passado, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou projeto que instituía o programa no Estado. Deputados do Ceará também já propuseram um projeto de lei para o ProUni-CE.

 

No vídeo de Mercadante, gravado diante de uma ETC, o candidato petista apareceu “entrevistando” uma estudante beneficiada pelo ProUni nacional. A jovem, identificada como Camila, diz que sempre estudou em escola pública e só ingressou na universidade graças ao programa do governo Lula.

 

A peça publicitária do petista também voltou a reprisar depoimentos de Lula, intercalado-os com falas do candidato. “Mercadante é, sem dúvida, uma das pessoas mais preparadas do País”, afirmou Lula. “Eu gostaria muito que você depositasse no Mercadante a mesma confiança que eu depositei. O Mercadante vai saber fazer em São Paulo o mesmo que eu fiz no Brasil.” Lula apresenta Mercadante: “É o meu candidato.” Mercadante, por sua vez, disse ter orgulho da amizade de 30 anos com Lula e de ter “ajudado a construir esse Brasil”.

 

Russomanno critica Judiciário de SP

 

Celso Russomanno, do PP, defendeu que os servidores do Judiciário recebam melhores salários e a informatização dos processos judiciais. O candidato mostrou ainda imagens de uma senhora que teve a filha assassinada há anos e cuja ação criminal ainda não foi julgada pela Justiça. "No Rio de Janeiro, o andamento de uma ação demora 1/3 do que demora em São Paulo. Vamos acelerar isso", prometeu.

 

Nanicos

 

Os candidatos nanicos repetiram as inserções veiculadas no início da tarde desta sexta. Paulo Skaf (PSB) apresentou-se aos eleitores e citou o presidente Lula como um dos responsáveis pela sua introdução na vida política. A propaganda de Paulo Bufalo (PSOL) mostrou dois atores com gravatas em forma de forca e disse que cada um tinha recebido R$ 10,5 milhões de banqueiros, em referência indireta a Alckmin e Mercadante. "Têm pessoas que o banqueiro ajuda. Para todas as outras, existe o PSOL", diz o locutor. O candidato defendeu o financiamento público de campanha.

 

Fabio Feldmann, do PV, defendeu uma economia criativa no Brasil, na qual as empresas invistam em preservação ambiental. Igor Grabois (PCB) propôs uma campanha política permanente e a luta pelos trabalhadores. Anaí Caproni (PCO) criticou o "Estado policial controlando a vida do cidadão". E Luiz Carlos Prates, o Mancha (PSTU), defendeu "moradia para todos e o fim do pedágio".

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