FHC alerta Tebet quanto a dificuldades

O presidente Fernando Henrique Cardoso fez nesta segunda-feira um alerta ao senador Ramez Tebet (PMDB-MS) sobre as dificuldades que ele enfrentará à frente do Ministério da Integração Nacional. "Ele disse-me que a pasta tem problemas", contou o novo ministro. "Nós conversamos sobre a questão da seca e sobre a conclusão dos inquéritos que estão em andamento."Tebet assume o cargo no dia 20, convencido de que terá mais sucesso para administrar as dificuldades políticas e financeiras que vitimaram os antecessores dele na pasta e com a promessa de não atrapalhar as investigações que poderão criar mais problemas para o presidente do Congreso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), envolvido nos escândalos da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Banco do Estado do Pará (Banpará)."Os inquéritos serão tocados normalmente; não tem nada que dependa de mim", avisou. Tebet reafirmou que as apurações do caso Sudam estão adiantadas no Ministério Público (MP) e na Corregedoria-Geral da União (CGU). "Não estou preocupado com isso; não vou brecar nada."Em conversas reservadas, entretanto, ele tem demonstrado alívio por estar se afastando da missão de ser o algoz de Jader, que não consegue se livrar das acusações de envolvimento no desvio de recursos do banco e de contrair empréstimos irregulares junto à Sudam.Tebet ganhou notoriedade no exercício da presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Na presidência do conselho, Tebet, ao conduzir o processo de cassação do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) e o processo que culminou na renúncia de dois importantes caciques governistas - os ex-senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) - estava consciente de que Jader seria ?a bola da vez?.Embora venha trabalhando duro para articular politicamente a primeira experiência na Esplanada dos Ministérios, o senador sul-matogrossense admite que a passagem dele pelo governo será curta. "Eu não tenho ilusões", disse Tebet, afirmando estar preparado para o que qualifica como um grande desafio."Eu fico pouco tempo, pois vou disputar a reeleição e devo me desincompatibilizar em abril", adiantou, lembrando da primeira experiência como governador do Mato Grosso do Sul, cargo que exerceu por apenas dez meses. Ele tem buscado apoio no partido e em outros setores do meio político. Sugeriu o adiamento da posse por uma semana para evitar o vazio político do pré-feriado.Nesta segunda-feira, além de se encontrar com o presidente por pouco mais de meia hora, o senador também conversou com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, titular da Câmara Setorial Extraordinária, criada por Fernando Henrique para antecipar as ações de combate à seca no Norte e Nordeste."A questão da seca é grande prioridade", comentou Tebet, que fez contatos com os governadores das regiões atingidas pelo problema. Outra prioridade, contou, é a efetiva criação das agências de fomento que darão lugar à Sudam e Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). "Eu sei que vou enfrentar dificuldades; isso não é um passeio", resignou-se. O senador conversou com membros da pasta que comandará, mas ainda não decidiu se fará mudanças na equipe.Tebet passou os últimos dias articulando politicamente a entrada no governo. Após aceitar o convite formulado por Fernando Henrique, ele passou a conversar com os correligionários na cúpula do PMDB, disposto a suavizar a reação negativa da legenda ao recuo do presidente, que não cedeu às pressões por uma reforma ministerial mais ampla.Para evitar atritos, o senador abriu mão da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, órgão que poderia ser agregado ao Ministério da Integração Nacional para silenciar os rumores de que a pasta teria sido esvaziada pela transformação da Sudam e da Sudene em agências de fomento.O recado tranqüilizador foi levado por Tebet ao ex-ministro e senador Íris Resende (PMDB-GO). "É uma questão política", admitiu o senador a interlocutores próximos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.