FHC agradece compreensão das Forças Armadas pela falta de verbas

Em uma cerimônia inédita, que surpreendeu os militares, o presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou a festa do dia da Pátria para fazer um discurso de agradecimento às Forças Armadas, pela compreensão que tiveram durante esses oito anos de governo. No discurso, feito durante coquetel realizado no Quartel General do Exército, Fernando Henrique tentou justificar os cortes orçamentários impostos às tropas, alegando que eles ocorreram em decorrência das dificuldades enfrentadas pelo País, ressalvando que, se mais não fez pelos militares, foi porque não foi possível, por causa das dificuldades financeiras.Os militares presentes ouviram o discurso, que não durou nem cinco minutos, aplaudiram o presidente, mas, depois do coquetel, comentaram que ?compreensão não enche barriga de ninguém? e ?que não torna nenhuma tropa operacional, nem mesmo bem equipada?. Os oficiais-generais faziam questão de lembrar o quanto o presidente foi simpático e agradável no contato com a categoria, mas não ressaltavam que, nem por isso, estavam satisfeitos com o tratamento dispensados a eles nos últimos anos, que os levaram a uma situação de penúria que ficou estampado com o ?pobre e minguado? desfile do Dia da Independência.Depois de lembrar as raízes para falar sobre o quanto sentiu com as restrições que teve de impor aos militares ? Fernando Henrique é filho de general ? o presidente salientou que decidiu fazer o coquetel para se confraternizar com os diferentes segmentos das Forças Armadas, que sempre lhe deram apoio, mesmo em tempos difíceis vividos pelo País. Ele encerrou o discurso com uma saudação aos presentes: Viva o Brasil!Alguns ministros que já participaram de outros 7 de setembro, reconheceram de, de fato, este ano a festa foi bem modesta. Mas o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, observou que a restrição foi imposta não só ás Forças Armadas, mas a todos os ministérios. ?É preciso adequar o nível do caixa do governo à realidade financeira do País?, disse Pratini, depois de dizer que no seu ministério, por exemplo, teve de cortar 50% das viagens. ?O esforço tem de ser feito por todos. Tem de apertar o cinto mesmo, até que as exportações cresçam e tenhamos saldo para melhorar a situação do País?, disse o ministro, que aproveitou para apresentar a reclamação do setor.Nesta minirreforma tributária, ressaltou Pratini, os produtores passaram a ser tributados na hora de vender os produtos, o que, advertiu, trará problemas para a produção. O ministro afirmou estar certo que o governo vai alterar esta forma de tributação ?porque o setor rural, que garante emprego, renda, o Plano Real e até mesmo as exportações não pode ser penalizado?.Alguns militares que passavam, enquanto Pratini dava entrevista, não pouparam comentários irônicos. ?Cada um tem de puxar mesmo a sardinha para o seu lado?, disse um oficial, acentuando ainda que as Forças Armadas irão demorar muito para recuperar as restrições e reduções nos planejamentos e reequipamentos.Destacavam ainda que Forças Armadas existem para dissuadir os inimigos e que quando eles chegam, não há tempo para correr e encomendar armamentos para combatê-los. Eles reiteravam ainda que não querem só afago, querem orçamento para poderem trabalhar com tranqüilidade e poderem bem cumprir as missões constitucionais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.