FGV: queda na avaliação de Dilma indica novo ciclo

A queda de oito pontos na avaliação da presidente Dilma Rousseff (PT) registrada na pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira - que passou de 63% em março para 55% -, sinaliza o início de um novo ciclo político e social no País com foco na melhora da qualidade de vida da população, especialmente nos grandes centros, avalia o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando Luiz Abrucio. Para ele, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) realizou o ciclo de estabilização econômica do País e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a estabilização social.

GUILHERME WALTENBERG E RENAN CARREIRA, Agência Estado

19 Junho 2013 | 14h05

"Esses ciclos foram bem-sucedidos, mas acho que há um reclame mais geral hoje em dia para que haja um novo ciclo de melhora na qualidade de vida da população, especialmente nos grandes centros e regiões metropolitanas", avaliou Abrucio ao Broadcast, serviço e notícias em tempo real da Agência Estado.

Segundo ele, apesar de a pesquisa ter sido realizada entre os dia 8 e 11 de junho, antes da erupção de protestos pelo País, o levantamento já conseguiu captar a sensação de insatisfação da população que levou ao início desses movimentos. "Há vários temas que levaram à erupção dos problemas, como a questão indígena no Centro-Oeste, a questão dos portos, a própria tarifa dos transportes, que deu o gatilho aos protestos e a mobilidade urbana. É como se essas coisas fossem se somando e não houve respostas à altura", disse.

Indagado se a pesquisa mostra um viés de baixa na avaliação da presidente Dilma, Abrucio avaliou que isso será definido pelas respostas que o governo dará aos protestos. "É difícil dizer. Depende do que o governo fizer de agora em diante. Está demorando para interpretar o movimento. Se for capaz de fazer um movimento coordenado para reduzir tarifas, por exemplo, algum ganho de aprovação terá, senão não", disse, ressaltando que não apenas o governo federal deve sofrer essa queda na avaliação, mas também os estaduais e municipais. "A insatisfação é geral", afirmou.

Segundo Abrucio, a queda na avaliação da presidente aumenta as chances de ocorrer um segundo turno na eleição presidencial do ano que vem. "Acende a luz amarela no sentido de pensar que quanto mais a Dilma perder popularidade, mais aumenta a chance de ter um segundo turno. E se ela for para o segundo turno com menos de 40% dos votos, será muito difícil levar essa", avaliou.

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