Fetagri invade fazendas no Pará

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará e Amapá (Fetagri) começou hoje a colocar em prática seu projeto de invasão de 40 fazendas no sul e sudeste paraense. O presidente da Fetagri, Airton Faleiro, afirma que as invasões são um protesto contra as "milícias armadas", que estariam sendo montadas por fazendeiros ligados a Federação da Agricultura do Pará (Faepa), e também contra a lentidão do programa de reforma agrária do governo federal.Hoje, as duas primeiras fazendas invadidas foram a Santa Mônica, em Rondon do Pará, por 130 famílias, e São Raimundo, em Marabá, por 150. A Santa Mônica pertence a Josélio Barros, o "Desão", acusado de mandar matar, em novembro do ano passado, o sindicalista José Dutra da Costa, o "Dezinho". Ele responde ao processo em liberdade."Já mataram 750 pessoas no campo paraense nos últimos 35 anos e continuam matando, mas ninguém faz nada. Várias pessoas com nomes anunciados em listas de marcados para morrer foram assassinados e os criminosos e mandantes estão soltos", justifica Faleiro. Ele informou que dirigentes da Fetagri, reunidos hoje pela manhã, decidiram encaminhar ao ministro da Justiça, José Gregori, um pedido de intervenção federal no sul e sudeste paraense.A resposta às invasões e denúncias da Fetagri veio do presidente da Faepa, Carlos Xavier: "Os responsáveis por isso seriam presos e processados por incitação ao crime em qualquer país sério do mundo. Infelizmente, porém, nós estamos num país onde os MST, CPTs e Fetagris da vida não só anunciam, como executam esse tipo de ação, inclusive na fazenda do presidente da República, mas fica tudo por isso mesmo".Xavier negou que os fazendeiros estejam montando milícias armadas para resistir às invasões, acrescentando que a resposta será dada "dentro da lei".

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