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Festa? Que festa?

Alckmin será a estrela da convenção do PSDB, mas aliados estão desalinhados

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 03h00

O PSDB faz sua convenção nacional amanhã, em Brasília, num ambiente de muita insatisfação contra o partido no Planalto, no Congresso, nos partidos aliados e, pior, numa ala responsável por grande parte da imagem tucana ao longo dos anos: os economistas. O resultado é que as críticas se multiplicam na mídia.

Na véspera, o ex-presidente do BC Armínio Fraga foi na linha da economista Elena Landau e declarou que o PSDB “envelheceu”. Para piorar, o STF determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Aécio Neves, presidente licenciado do partido, ex-governador de Minas e ex-candidato à Presidência. Festa? Que festa?

É assim que o governador Geraldo Alckmin assume a presidência do PSDB e tem seu primeiro grande ato de campanha para o Planalto. Convenhamos, não é uma largada fácil. E, se ele conseguiu um difícil consenso interno, vai conviver com os aliados potenciais em pé de guerra e ameaçando, até mesmo, lançar um “tertius” para 2018.

Numa primeira leitura, o “tertius” seria o próprio Alckmin, que se coloca ao centro, entre Lula, à esquerda, e Jair Bolsonaro, à direita. Mas os aliados cada vez mais desalinhados dos tucanos explicam que a terceira via que estão buscando é outra: entre o PSDB de Alckmin e o PT de Lula.

Estamos falando de oito partidos que formam a base do governo Michel Temer e teriam tudo para já estar engajados na candidatura Alckmin, mas, ao contrário, não fazem outra coisa senão criticar duramente o PSDB e até Alckmin, diretamente. O próprio Temer não perdoa a omissão dele na votação das duas denúncias da PGR.

Esses partidos são o DEM, velho parceiro tucano, o PMDB, que oscila desde 1994 entre PSDB e PT, e os integrantes do Centrão – PSD, PP, PR, PRB, PTB e PSC – cada vez mais dentro do governo e empurrando os tucanos porta afora. O coordenador político do Planalto, Antonio Imbassahy, por exemplo, pode sair do governo a qualquer momento, até hoje mesmo.

Esse grupo, porém, continua com o problema de sempre: quer romper com o PSDB e lançar candidato comum, mas não tem um só nome com estatura e força suficientes para não dar vexame em outubro do ano que vem. Eles chegaram a sonhar com João Doria, mas consideram que o prefeito perdeu o fôlego. Falam de Paulo Skaf, da Fiesp, mas, se tiver algum juízo político, até o próprio Skaf deve rir dessa história. 

Assim, a articulação deles pode ser apenas ameaça, uma forma de vender dificuldade para colher facilidade. Ainda assim, pode deixar sequelas. O risco do PSDB – ou seja, de Alckmin – é menos um candidato das forças aliadas, mas uma adesão fracionada e de má-vontade. Isso significaria não só perda de preciosos minutos na TV, mas um estouro da boiada nos Estados. Sem um candidato forte que una todos para a Presidência, cada partido vai desenhando suas alianças Estado por Estado. Quando olhar em volta, Alckmin poderá descobrir que o PMDB, por exemplo, lhe escapou pelas mãos, como em Alagoas. E o que falar do PSD? Do PR? Do PTB?

A bem do PSDB, diga-se que essa sensação de que tudo está de pernas para o ar não é uma exclusividade do partido. O PT está cheio de cicatrizes e com um candidato de futuro incerto e não sabido, as alianças nos Estados são as mais esdrúxulas e mais diversas, Bolsonaro virou um fator considerável e o governo não tem ideia para onde vai. Logo Alckmin terá pouco a comemorar na convenção de amanhã, que é apenas um passo numa estrada cheia de ameaças e armadilhas.

Arroz de festa. Só nesta semana, o diretor da PF, Fernando Segovia, foi a jantar do DEM, almoço do Itamaraty e show sertanejo em entrega de prêmio para jornalista. Sem deixar de passar pelo Planalto.

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