Festa e tristeza marcam homenagens à missionária Dorothy Stang

A pequena cidade de Anapu, a 600 quilômetros de Belém, decidiu reverenciar neste domingo o primeiro aniversário da morte da missionária Dorothy Stang trocando o clima de tristeza por uma animada celebração.Um missa foi celebrada na igreja de Santa Luzia em memória da religiosa, animada por um grupo musical comunitário, que abriu a programação ao som do pagode "Mulheres".Com letra adaptada em homenagem à freira, a música, de Martinho da Vila, provocou muita animação nos presentes. A missa terminou ao som do clássico de Luiz Gonzaga, Asa Branca, com letra também adaptada.Também houve ato público e passeata até túmulo onde está sepultado o corpo da freira. A programação terminou com o Forró da Dorothy, no centro comunitário da cidade, onde foi construído um placa luminosa com a imagem da religiosa.Agências internacionais de notícias, como a BBC de Londres, a americana ABC e a National Geographic, estiveram presentes à celebração. A congregação das Irmãs de Notre Damme mandou representantes de três continentes a Anapu.Houve comoção no ato público realizado por mais de mil pessoas ao redor do túmulo de Dorothy, em volta do qual foram fincadas 882 cruzes brancas e vermelhas, em homenagem a líderes sindicais e comunitários mortos (774) e marcados para morrer (48) na luta pela terra. A missa foi concelebra por um dos figurantes da lista de jurados de morte, o bispo de Altamira dom Erwin Krautler.O ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, informou que o governo fará todo o possível para identificar outros eventuais envolvidos no assassinato, intensificar as ações de combate à impunidade e restabelecer o clima de paz na região.Ele aproveitou para mandar um aviso aos sindicatos rurais que ameaçaram resistir à bala as ações do governo de combate à grilagem. "Esse tempo de faroeste acabou. O estado não teme esse tipo de bravata e vai usar todos os seus meios para marcar sua presença na região, inclusive com ações ostensivas".

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