Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Festa dos metalúrgicos do ABC vira ato pró-Dilma

A ministra, preferida à sucessão, recebeu mais atenção do que o presidente

Anne Warth, da Agência Estado,

13 de maio de 2009 | 01h00

Mais aplaudida que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na comemoração dos 50 anos do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ouviu nesta noite o emblemático coro que eternizou a campanha de Lula em 1989. "Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma", cantaram os metalúrgicos presentes ao evento. A comemoração acabou se tornando um ato de apoio à ministra, a preferida do presidente para disputar as eleições presidenciais de 2010.

 

No berço político de Lula, Dilma acabou recebendo mais atenção que o presidente. Ganhou um buquê de lírios do presidente do Sindicato, Sergio Nobre, e a solidariedade dos trabalhadores, comovidos com a situação da ministra, que se submete a tratamento contra um câncer no sistema linfático.

 

A ministra enalteceu a importância do sindicato na luta contra a ditadura do regime militar. "Eu acredito que o sindicato do ABC, na história das lutas do País, representa um papel simbólico. Foi uma referencia para todos os brasileiros que lutamos contra a ditadura", afirmou.

 

Em seu discurso, Lula relembrou as dificuldades de atuação dos metalúrgicos durante a ditadura, mas também citou Dilma, presa política durante os anos de chumbo. A homenagem mais direta de Lula aos trabalhadores foi quando se referiu ao presidente dos EUA, Barack Obama, que disse que o Lula "era o cara".

 

"Quando Obama falou ‘Lula, você é o cara’, deveria ter falado ‘metalúrgicos, vocês são os caras’", afirmou, sob aplausos. "Eu tenho clareza que se não fosse peãozada desse País, do campo e da cidade, dos movimentos sociais e populares, eu não teria chegado aonde cheguei."

 

Numa referência à crise internacional, Lula ressaltou que os trabalhadores precisam comemorar as vitórias, mesmo em momentos difíceis. "Muitas vezes somos muito gananciosos e esquecemos as vírgulas que conquistamos", disse Lula, referindo-se aos ganhos salariais e à força das mulheres no trabalho. "É importante querer sempre um pouco a mais, mas não esquecer o que já conquistamos", disse.

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