Festa do ''amigo secreto'' vira palco para desabafos

Abin lembrou ontem o dia do profissional de inteligência

O Estadao de S.Paulo

06 de setembro de 2008 | 00h00

Festa do amigo secreto. É assim que é conhecida no anedotário brasiliense a comemoração do "dia do profissional de inteligência", festejada ontem. Neste ano, porém, a festa na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi marcada por queixas públicas. Na cerimônia, no auditório da agência, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, desabafou: "A Abin foi acusada, julgada e nem execrada vai ser, mas sim linchada, sem que seja observado o princípio mais elementar da Justiça, o direito de defesa, que nos tem sido negado." Para ele, este "é o momento mais delicado" da trajetória da agência.Félix pediu ainda "união" aos servidores da casa, apelando para que, "pelo menos momentaneamente, deixassem de lado as divergências internas menores para que vençam as adversidades". Recomendou também aos que se sentissem ofendidos que procurassem a Justiça para defender seus direitos, sugerindo até que a Associação dos Servidores da instituição exerça esse papel. A Polícia Federal suspeita que agentes da Abin estão por trás da ligação grampeada do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.A exemplo de Félix, o diretor interino da Abin, Wilson Trezza, saiu em defesa da categoria, recusando qualquer uma das acusações que estão sendo feitas ao seu pessoal e lembrando da importância da comemoração do dia do agente, "ainda que muitos, fora da ABIN, entendam não haver motivos para isso".Segundo Trezza, os profissionais da área precisam se convencer, sem qualquer margem para dúvida, de que são, de fato, profissionais, "mesmo que alguns, por motivos inconfessos, tentem fazer crer no contrário". "Ainda que alguns insistam em imputar o que não fizemos", ressaltou. Ele salientou que "a crise instalada lá fora não pode ultrapassar os portões da Abin" e emendou: "As eventuais inverdades que ouvimos a nosso respeito não devem e não podem, jamais, nos contaminar."Em seguida, Trezza comentou que, "do governo e da sociedade, não querem apenas carreira e salário, mas reconhecimento e consideração" e que espera "que, em um dia não muito distante, além dos profissionais de inteligência, toda a sociedade se associe a esta comemoração".Na seqüência, Félix afirmou que o diretor-geral da Abin "continua sendo o delegado Paulo Lacerda e o adjunto, José Milton Campana". Para o ministro, Trezza está apenas respondendo pelo expediente da agência, numa clara sinalização de que acredita que os diretores afastados voltarão. Nem Lacerda nem Campana participou da cerimônia, que não chegou a ocupar metade do imenso auditório da agência. Ambos estão lotados no Planalto e trabalham no quarto andar do palácio, próximo a Félix, onde deverão ficar nos próximos dois meses, prazo em que se espera que o inquérito da PF seja concluído.Em sua fala, Félix pediu ainda aos profissionais de inteligência que não se abalem com a repercussão do caso. Após os discursos, o comentário entre os servidores era a lembrança de que a Associação dos Delegados da Polícia Federal foi o único órgão a sair em defesa da categoria.

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