Fernando Henrique defende CPI do Cachoeira

Dizendo-se cansado da corrupção, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta terça a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira. "Acho que o País cansou, então talvez seja o momento de o Congresso crescer e fazer uma CPI que vá na raiz das questões, e que não seja somente para acusar sem base. O Congresso tem que fazer (a CPI)", afirmou durante entrevista.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

17 de abril de 2012 | 17h44

Fernando Henrique foi homenageado nesta terça pela Câmara dos Deputados, que exibiu um trecho do documentário "A construção de Fernando Henrique Cardoso", produzido pela TV Câmara. O filme vai ao ar na quinta-feira, às 21h30. No documentário, o ex-presidente conta que se mudou para São Paulo na década de 1940, quando a área do Pacaembu ainda era de terra e as carroças estavam presentes nas ruas. Depois, fala de sua entrada na política, a eleição para senador, a Assembleia Constituinte, o ministério e os dois mandatos de presidente da República.

Quanto à CPI do Cachoeira, que deverá ser instalada no Congresso para apurar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresas privadas em todas as esferas dos três poderes, Fernando Henrique disse que a sociedade espera que, além das investigações no Parlamento, a Justiça puna os corruptos. "A corrupção continua assim porque você não tem punição".

Para ele, é preciso que o Congresso assuma sua responsabilidade, fazendo a CPI com "responsabilidades e serenidade". O ex-presidente comentou ainda que é possível fazer política sem a presença do Caixa 2. "Dá para fazer. Se não dá, tem que criar condições para fazer. É uma questão de ter respeito ao povo."

Na opinião do ex-presidente, é preciso passar a limpo todas as questões com serenidade porque as suspeitas atingem quase todos os partidos. "Nos cansamos de ver fraudes, corrupção. Eu não estou criticando A, B ou C, porque infelizmente atingem quase todos, não digo pessoas, partidos".

Antes da entrevista, ao agradecer a homenagem que recebeu da Câmara, Fernando Henrique revelou que a certa altura da vida pensou em ser padre e que sua mãe achava que ele chegaria a papa. Negou que tenha desistido da vida monástica para virar um namorador: "Isso não. É mentira". Brincou com sua boa relação com a presidente Dilma Rousseff. Indagado na entrevista sobre a ausência da presidente na festa em sua homenagem, afirmou em tom de surpresa: "A Dilma está no Brasil?"

Por fim, o ex-presidente recusou-se a entrar na disputa pela prefeitura de São Paulo: "Onde fica São Paulo mesmo?"

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