Fernando Henrique defende aumento do mínimo dado por Lula

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se reuniu nesta segunda-feira com um grupo de empresários na sede do instituto que levará o seu nome, no centro de São Paulo, fez uma defesa indireta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao novo valor do salário mínimo.De acordo com Fernando Henrique, todos os presidentes dão o máximo aumento possível, mas, apesar disso, o salário mínimo sempre será baixo. "Acho que qualquer presidente dará o máximo que pode e sempre ficará triste, porquesempre é pouco, mas é uma questão objetiva", afirmou, antes de ncomeçar a reunião com os empresários.O ex-presidente, que só concordou em falarsobre o tema por causa da insistência dos jornalistas, deixou claro que não vai agir comoas pessoas que criticam o governo por considerar que o salário mínimo continua baixo.Ele afirmou que o aumento atual é pequeno, como também o foram os reajustes que concedeu em seu governo, embora o atual e os anteriores tragam um pequeno aumento real. "Eu não vou juntar a minha voz aos que acham que é baixo", prosseguiu Fernando Henrique. "Acho que não se deve olhar para os governos, sobretudo no começo, jogando pedras; acho que temos de torcer para o Brasil."O ex-presidente repetiu, várias vezes, que nãoquer fazer comentários sobre o governo Lula "antes do tempo, porque o governo temmuitos problemas e eu não quero dificultar a gestão do Brasil"."Eu sou, institucionalmente, um patriota. Eu acredito no Brasil e vou me reservar paraqualquer opinião mais crítica quando for o momento."Embora também comedido, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) aproveitou o novo valor do salário mínimo proposto pelo governo para questionar a mudança de posição do PT em relação à época em que era oposição. Na opinião de Tasso, o PT está enfrentando "a realidade da vida"."O PT sempre lidou com uma coisa que era irreal, e hoje enfrenta a realidade da vida", disse aoser questionado sobre o que achava do novo valor do salário mínimo. O senador tucano disse, entretanto, que a posição do PSDB é dar tranqüilidade para que o governo adote as medidas possíveis. Ele entende que o governo, neste momento, não tinha condições de tomar uma decisão diferente.O empresário Antonio Ermírio de Morais, do Grupo Votorantim, reagiu com uma certa ironia ao ser informado sobre o valor proposto pelo governo. "Pensei que seria maior, porque falaram tanto que iria aumentar", disse Antonio Ermírio. "Felizmente, acho que não tem muita gente ganhando o salário mínimo", completou. Em seguida, disse que não queria fazer mais comentários sobre a questão porque a equipe de Lula deve saber o que está fazendo.Ele se mostrou preocupado com a economia, que estaria "esfriando", referindo-se à dificuldade de os empresários conseguirem crédito por causa da alta taxa de juros.Entre os empresários presentes ao encontro estavam também o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão; o presidente da Telefónica, Fernando Xavier; Pedro Moreira Salles, do Unibanco; Olavo Setúbal, do Itaú; e Miguel Jorge, vice-presidente do Banco Santander. Segundo funcionários, havia entre 30 e 50 pessoas, mas o número não foiconfirmado oficialmente.Além do governador Tasso Jereissati (PSDB-CE), participaram o governador Geraldo Alckmin e os ex-ministros Celso Lafer (Relações Exteriores) eAndrea Matarazzo (Secretaria de Comunicação da Presidência).

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