Fernando Haddad critica 'partidarização' de igrejas

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, criticou na manhã deste domingo o que chamou de "partidarização das igrejas". "Temos que combater a intolerância religiosa, mas não podemos partidarizar a igreja. A constituição veda as duas coisas. Sou contra qualquer tipo de partidarismo (em igrejas)", disse o candidato.

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

09 de setembro de 2012 | 14h13

Na noite de sexta-feira, dia 07, pastores da Assembleia de Deus Ministério em Santo Amaro pediram votos para o candidato do PRB à Prefeitura, Celso Russomanno, durante culto em igreja da zona sul da capital. Russomanno e seu vice, Luiz Flávio D''Urso, estavam ao lado dos pastores. A legislação proíbe campanha dentro de templos religiosos - considerados bens públicos.

Haddad disse que o PT não pretende entrar na Justiça contra a presença de Russomanno no culto da Assembleia de Deus. "Quem guarda a lei é o Ministério Público (MP). Os partidos não são guardiães da lei. O MP que tem que analisar caso a caso", disse o candidato do PT em entrevista à imprensa, após carreata realizada na região de Taipas, na zona norte de São Paulo.

O candidato do PT criticou a propaganda eleitoral de Russomanno, sem citar o adversário. "Eu vejo, às vezes, a propaganda eleitoral e não quero citar nomes, mas tem gente que, ao invés de usar o tempo de TV para fazer propostas, está agradecendo pesquisas de intenção de votos. Não é o caso de comemorar o resultado, que não chegou, como se a eleição tivesse acabado", disse. No programa eleitoral da TV, Russomanno tem agradecido aos eleitores da cidade de São Paulo o fato de liderar as pesquisas de intenções de votos.

Segundo Haddad, os candidatos deveriam usar a propaganda eleitoral na TV para apresentar propostas. "É nossa obrigação republicana dizer exatamente o que vamos fazer em caso de vitória para que as pessoas não sejam levadas por uma ilusão sobre o destino de nossa cidade", afirmou Fernando Haddad.

Mensalão tucano

Haddad também criticou a participação no sábado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no programa eleitoral do candidato do PSDB, José Serra. Em sua primeira aparição na propaganda do tucano, FHC citou o caso do Mensalão, suposta compra de votos de parlamentares por petistas no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006) que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Devia ter citado o (Mensalão) do PSDB também. Um ex-presidente tem que ter uma postura republicana e ele sabe onde começou isso (Mensalão). Começou em Minas Gerais com o partido dele", afirmou, referindo-se a outro caso de suposta compra de votos ocorrido durante o governo de Eduardo Azeredo (1995-1999).

Ao percorrer as ruas do bairro de Taipas, Haddad criticou a falta de coleta de lixo na região. "É muito lixo acumulado nas ruas", repetiu algumas vezes. Haddad prometeu que, se eleito, irá fazer obras na região, como instalar um centro de convenções, um instituto de educação profissional e tentar antecipar a entrega da estação de Pirituba do metrô, negociando com o governo do Estado.

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