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Após fiasco no TCU, Bezerra deixa liderança do governo Bolsonaro

Apesar do favoritismo, senador Fernando Bezerra somou apenas 7 votos na disputa por uma vaga no TCU; Antonio Anastasia foi eleito com o apoio de 52 parlamentares

Davi Medeiros e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2021 | 11h34

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) deixou o cargo de líder do governo no Senado. A decisão foi anunciada um dia após o parlamentar perder a eleição para a escolha do indicado do Senado ao Tribunal de Contas da União (TCU), vencida pelo senador Antônio Anastasia (PSD-MG).

“Entreguei nesta manhã o cargo de líder do governo no Senado. Formalizei o pedido ao presidente Jair Bolsonaro, a quem agradeço pela confiança no exercício da função”, afirmou o parlamentar. 

Tendo recebido apenas sete votos, o senador teve a pior colocação entre os três candidatos à vaga no TCU. A segunda colocada, senadora Kátia Abreu (Progressistas-TO) obteve 19 votos e Anastasia, 52. O resultado foi uma vitória do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que trabalhou pela indicação do aliado, e foi lida como derrota para o governo.

Liderança

Bezerra não informou os motivos da saída, mas a derrota na disputa pela indicação ao TCU foi decisiva para o senador deixar a liderança do governo. A decisão era esperada nos bastidores do Senado durante a sessão de ontem e não foi surpresa para aliados do presidente Jair Bolsonaro.

Conforme o Broadcast Político apurou, Bezerra esperava mais empenho do Palácio do Planalto para elegê-lo. A articulação para ser ministro do TCU fazia parte da agenda do parlamentar desde o início da gestão Bolsonaro. O senador também contava com mais votos dentro do seu próprio partido, o MDB, que tem 15 senadores. Além disso, parte da derrota foi atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente. 

Antes mesmo da disputa pelo Tribunal de Contas, Bezerra já ameaçava deixar o cargo de líder do governo em algumas ocasiões, mas permaneceu na função em momentos decisivos, como na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, da qual foi relator.

A troca do líder do governo foi cogitada quando Fernando Bezerra se movimentou para concorrer à Presidência do Senado. Na ocasião, Bolsonaro decidiu apoiar Rodrigo Pacheco na eleição para o comando da Casa, dividindo o MDB, que mesmo tendo a maior bancada não conseguiu emplacar um vitorioso. 

Com a saída de Bezerra, a articulação do governo no Senado é vista como um ponto de preocupação. Mesmo com críticas à postura do presidente Jair Bolsonaro e à gestão do ministro da Economia, Paulo Guedes, à frente da pasta, o senador era visto como um forte articulador do Executivo na Casa.

A situação agora é vista com incerteza, pois os próprios senadores dizem não saber qual será a agenda do governo depois da PEC dos Precatórios e em ano eleitoral. Ainda não há nome para ocupar a liderança. No ano passado, o senador Carlos Viana (PSD-MG) foi cogitado para a função. Hoje, ele é vice-líder do governo no Senado, ao lado dos senadores Eduardo Gomes (MDB-TO), Jorginho Mello (PL-SC) e Elmano Férrer (PP-PI).

Suplência

A vitória de Anastasia implica também em outra mudança nas cadeiras do Senado. Com sua saída da política eleitoral, entra em cena seu primeiro suplente, Alexandre Silveira (PSD-MG), que assumirá seu lugar e passará a ser senador por Minas.

Silveira foi deputado federal de 2007 a 2015. Começou a carreira política no Cidadania, então PPS, mas filiou-se ao PSD em 2011, ano em que tomou posse de seu segundo mandato. Hoje, é presidente do diretório mineiro do partido. 

Antes de substituir Anastasia como senador, ele era Diretor de Assuntos Técnicos e Jurídicos do Senado. Ligado ao presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD), Silveira quer disputar a eleição para senador no ano que vem.

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