FERNANDO ABRUCIO

CIENTISTA POLÍTICO E COORDENADOR DA GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGVSP

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 22h38

É sempre bom que a sociedade vá às ruas e mostrar descontentamento com a política e as políticas públicas. Porém, para que isso seja mais efetivo, é necessário que os grupos sociais definam objetivos e de que maneira podem alcançá-los. Neste sentido, se a luta se orienta pelo “Fora Dilma”, as manifestações ficaram longe da meta. Primeiro porque, para se chegar a propósito tão amplo, é preciso juntar pessoas de diferentes estratos sociais. Mas as periferias faltaram ao encontro de domingo.

Em segundo lugar, é preciso chegar à classe política, a responsável por levar adiante o impeachment. Mas o mantra dos “sem partidos” atrapalha a busca do objetivo. Ademais, é bom se perguntar o que fará o Congresso quando os presidentes da Câmara e do Senado possivelmente se tornarem réus por corrupção.

O erro dos movimentos de rua é ter adotado uma visão redentora da política, na qual haveria um momento mítico de regeneração da sociedade caso ocorra o impeachment. Mas se isso não der certo, o que ficará das manifestações? O melhor caminho seria montar uma agenda substantiva de políticas e uma estratégia para alcançá-la. Seria a melhor forma para evitar a decepção se o objetivo único e redentor não for atingido.

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