Feriado prolongado pode fazer abstenção atingir recorde

Especialista prevê que índice de ausências pode chegar a 22%, mas não há risco de interferência no resultado da votação

Moacir Assunção, de O Estado de S.Paulo,

31 de outubro de 2010 | 08h23

As campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) contam com o aumento da abstenção neste domingo, 31, em relação ao primeiro turno, quando 24,6 milhões de pessoas não votaram. Especialista no assunto, o professor Dejalma Cremonese, da Universidade Federal de Pelotas, calcula que o índice fique próximo de 22%, por vários motivos, como o fato de muitos governadores já estarem eleitos, assim como todos os senadores e deputados. Além disso, o segundo turno coincidiu com o feriado prolongado por conta do Dia de Finados. "Entretanto, isso não será capaz de mudar os resultados da eleição."

 

Cremonese afirma que o aumento da abstenção é comum da primeira para a segunda rodada de votação. De acordo com ele, o porcentual de brasileiros que deixaram de votar em 2002, na primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou de 18% para 21% entre o primeiro e o segundo turno. Em 2006, o índice subiu de 18% para 20%.

 

Este ano, em princípio, a campanha de Serra enfrentaria mais problemas, porque é o público de classe média - simpático ao PSDB, de acordo com as pesquisas - que deve viajar no feriado. Em Brasília, porém, a abstenção preocupa mais o PT, porque seu eleitor médio é, majoritariamente, funcionário público e também deve viajar.

Além disso, os índices mais altos de abstenção devem ser registrados no Norte e Nordeste, regiões onde Dilma esteve à frente no primeiro turno e nas quais manteve a dianteira, segundo as pesquisas. O cientista político Jairo Nicolau diz que tradicionalmente o porcentual de abstenção é maior em áreas pobres. "O feriado pode compensar isso, mas nada que altere em mais de 1% o resultado eleitoral", afirma.

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