Fenaj aponta aumento da violência contra jornalistas no ano passado

Segundo entidade, em 2015 o número de casos cresceu se comparado a 2014; dois profissionais foram assassinados

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2016 | 05h00

RIO - Os casos de violência contra jornalistas no Brasil aumentaram em 2015, se comparados com 2014. Foram registrados 137 casos no ano passado, enquanto em 2014 haviam sido 129. O número de assassinatos, no entanto, caiu de três casos em 2014 para dois em 2015. Os dados constam de relatório divulgado nesta quinta-feira pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

O jornalista Evany José Metkzer, de 67 anos, foi decapitado em Padre Paraíso (MG), onde morava e mantinha o blog Coruja do Vale. Seu corpo foi encontrado em 18 de maio. O outro jornalista assassinado em 2015 foi o paraguaio Gerardo Ceferino Servián Coronel, de 44 anos, morto a tiros em Ponta Porã (MS), onde morava, em 5 de março. Ele trabalhava na rádio Ciudad Nueva, de Santa Pytã, distrito de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã.

Também foram mortos em 2015 nove profissionais de comunicação que não eram jornalistas, de acordo com a Fenaj: cinco radialistas, dois blogueiros e dois comunicadores que atuavam em rádios comunitárias.

“Jornalistas de todo o mundo têm sofrido ameaças, agressões e, em muitos casos, têm pagado com a vida o alto preço por defender o interesse público e dar voz a quem precisa. Dos assassinatos de jornalistas e outros comunicadores ocorridos em 2015 (no Brasil), apenas em um caso os assassinos e os mandantes foram identificados”, afirmou o presidente da Fenaj, Celso Schröder, no texto de apresentação do relatório.

Agressões e ameaças. Além dos dois homicídios, jornalistas foram alvos de 49 casos de agressão física (35,7%), 28 casos de ameaças (20,4%), 16 agressões verbais (11,6%), 13 impedimentos do exercício profissional (9,4%), 9 atentados (6,5%), 9 casos de cerceamento à liberdade de expressão por meio de ações judiciais (6,5%), 8 prisões (5,8%), 2 casos de violência contra a organização sindical (1,4%) e 1 caso de censura (0,7%).

O Sudeste concentrou o maior número de registros: 57 (41,6% dos 137). São Paulo foi o Estado mais violento na região, com 24 casos, seguido pelo Rio de Janeiro (16), Minas Gerais (12) e Espírito Santo (5).

Na região Nordeste somou o segundo maior número, com 29 casos (21,1%), registrados no Ceará (7), Alagoas (6), Piauí (6), Bahia (3), Pernambuco, Maranhão e Paraíba (2 casos em cada) e Rio Grande do Norte (1).

O Norte teve 22 casos (16%), no Estados de Pará (13), Tocantins (4), Amazonas (2), Acre (1), Rondônia (1) e Roraima (1). No Sul, houve 18 casos (13,1%), a maioria no Paraná (9), seguido por Santa Catarina (7) e Rio Grande do Sul (2). Na região Centro-Oeste houve 11 casos (8%), no Mato Grosso do Sul (4), no Distrito Federal (3), no Mato Grosso (2) e em Goiás (2).

Em 2015, houve 105 casos com vítimas homens e 18 casos com mulheres. Em outros 24 casos a vítima não foi identificada por gênero. O número de vítimas é maior do que o número de casos (137) porque em algumas situações mais de um jornalista foi agredido.

Veículos. Jornalistas que atuam em TV foram os principais alvos da violência, figurando como vítimas em 50 casos (36,4%). Profissionais da mídia digital (portais, sites e blogs) sofreram 23 agressões, inclusive uma morte. Jornalistas de rádio sofreram 7 agressões (5,11%), enquanto profissionais de assessoria de imprensa, agências de notícias ou coletivos foram vítimas de 5 agressões (3,65%).

Um jornalista de revista e um freelancer também foram alvos de agressões. Em dez casos o local de trabalho não foi identificado e em dois episódios era genérico (os casos contra a organização sindical).

Agressores. Policiais militares ou legislativos (atuam na Câmara dos Deputados, em Brasília) são a maioria dos agressores, responsáveis por 28 casos (20,4%). Em seguida estão políticos ou seus assessores ou parentes, com 21 casos (15,3%). Em 19 casos (13,8%) a agressão partiu de manifestantes e, em 13 casos (9,4%), a iniciativa foi de populares. Criminosos (inclusive pistoleiros) cometeram 11 agressões (8%) e outras 11 não tiveram autor identificado. Em 8 casos (5,8%), o autor era trabalhador ou sindicalista, seguidos por empresários (7), juízes ou procuradores (6), torcedores ou dirigentes esportivos (6), seguranças (4), presos ou suspeitos (2) e grileiro (1).

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