Feliz, Renan ''''reassume'''' Senado

Ele cita união do PMDB para mostrar insatisfação, mas nega saber do quê

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 Setembro 2007 | 00h00

Depois de quatro meses sob fogo cruzado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) reincorporou o papel de presidente do Senado. Ontem, menos de 24 depois de comandar a rebelião do PMDB contra o governo, ele voltou a ser personagem da articulação política no Congresso. De bom humor, foi amável com jornalistas, disse que engordou desde que a crise que o atinge começou e negou que a rebelião, na véspera, tenha relação com a tentativa do partido de mantê-lo no comando da Casa. Na noite de quarta-feira, os peemedebistas do Senado deram recado claro ao Planalto de descontentamento e derrubaram a Medida Provisória 377, que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo.Renan admitiu que o PMDB procurou dar uma "demonstração de insatisfação", mas disse desconhecer em relação a que os parlamentares do partido estariam insatisfeitos. "Foi entrosamento", afirmou o presidente do Senado, ao comentar a "união" do time peemedebista para derrotar o Planalto. "Eu queria dizer que essa questão do PMDB de ontem (anteontem) não tem nenhuma conexão com a minha questão. Muito pelo contrário. Não tem absolutamente nada a ver comigo. O PMDB quis, com aquela votação, dar uma demonstração de insatisfação não sei de quê." Ele disse que o líder do partido no Senado, Valdir Raupp (RO), foi obrigado a acatar a decisão de 12 senadores da bancada que decidiram se rebelar por estarem insatisfeitos com ações do Palácio do Planalto. "Cabia ao líder Raupp seguir a orientação majoritária de sua bancada. Senão, comprometeria sua própria liderança", argumentou. O presidente do Senado negou que tivesse conhecimento da ação articulada pelos peemedebistas, assim como outros líderes do partido - como José Sarney (AP), Romero Jucá (RR) e Roseana Sarney (MA). Eles foram os únicos do partido que não votaram contra o governo.Renan disse que, assim como os outros peemedebistas, foi informado "de última hora" sobre a decisão da bancada de derrubar medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A retomada da liturgia foi completa. Durante o dia, em ato explícito de retomada das atividades legislativas, Renan recebeu o presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev. COLABOROU ROSA COSTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.