Félix confirma que Abin colaborou com PF na Satiagraha

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, confirmou hoje, em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas (CPI do Grampo), na Câmara, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) colaborou com a Polícia Federal (PF) durante as investigações da Operação Satiagraha. Deflagrada no dia 8 de julho, a operação prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano Celso Pitta, entre outros. Félix deu a informação em resposta a uma pergunta do relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA). Ele afirmou que a cooperação começou no plano regional. Depois, "os superintendentes regionais" a levaram para a "área de contra-inteligência", e a colaboração foi subindo de nível até chegar à diretoria da Abin, "às mãos do Campana, que estava aqui do meu lado", disse Félix, referindo-se ao diretor-adjunto da Abin, José Milton Campana, afastado temporariamente ontem do cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Pouco antes, Campana, que estivera na CPI como auxiliar de Félix, teve que se retirar da sala por ter sido convocado para depor perante a comissão como testemunha no caso das denúncias de gravações ilegais de conversas de autoridades. Félix contou ainda que, quando a Abin faz uma investigação e suspeita de que há uma atividade criminosa, o órgão passa o trabalho para a PF, que tomará "imediatamente" as providências, de acordo com sua atribuição. O general disse que a PF só é acionada quando a Abin identifica alguma suspeita de atividade criminosa.

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