ED FERREIRA/ESTADÃO
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Feliciano recua de negociação por vaga na Comissão de Direitos Humanos

Parte da bancada evangélica ficou irritada com o fato de não ter sido consultada sobre a possibilidade de o pastor e Jean Wyllys (PSOL-RJ) serem vice-presidentes do colegiado

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2015 | 22h47

Brasília - Após costurar um acordo preliminar para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) recuou na negociação com o PT iniciada na tarde desta quarta-feira, 11. Parte da bancada evangélica ficou irritada com o fato de não ter sido consultada sobre a possibilidade de Feliciano e Jean Wyllys (PSOL-RJ) serem vice-presidentes do colegiado.

"Não há acordo algum assumido pela Frente Evangélica para a eleição do presidente da Comissão de Direitos Humanos", disse agora o deputado. Mais cedo, o parlamentar comemorou a possibilidade de pacificação no colegiado e fazer parte da Mesa. "Vamos montar a chapa para mostrar que o Congresso é lugar de consenso. Isso é um sinal ótimo para a sociedade", declarou Feliciano à tarde. 

Ao voltar atrás nesta noite, o deputado afirma que regimentalmente não há possibilidade de composição da Mesa com parlamentares que não sejam do bloco liderado pelo PT. "Nem eu nem o outro deputado portanto poderíamos nos candidatar a cargo algum, pois pelo acordo de líderes e pelo regimento apenas os partidos dos blocos podem ser contemplados com a presidência e as vices", justificou.

Na impossibilidade de apresentar uma candidatura avulsa contra o indicado oficial, o petista Paulo Pimenta (RS), deputados se viram diante da possibilidade de lançar Feliciano para um cargo na vice-presidência. A negociação previa que outra vaga de vice fosse destinada a Jean Wyllys, defensor da causa LGBT e adversário político de Feliciano. O nome da deputada Rosângela Gomes (PRB-RJ) foi colocado para a terceira vice. "Não houve diálogo com a bancada para fechar o entendimento. O acordo anunciado não existe", reagiu o deputado Marcos Rogério (PDT-RO). 

Na semana passada, um impasse impediu a eleição da Mesa da CDHM. O deputado evangélico Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) apresentou candidatura contrariando o acordo de líderes. Com a insistência de Sóstenes, o PSD decidiu colocá-lo na suplência da comissão de modo a impedir que ele disputasse o cargo. O parlamentar chegou a entrar com uma liminar na Justiça para disputar a eleição, mas a ação ainda não foi julgada. 

A reunião para eleição da Mesa da CDHM chegou a ser aberta nesta tarde, mas em seguida foi suspensa por causa do andamento da sessão conjunta do Congresso Nacional. A sessão da CDHM será retomada nesta quinta. 

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