Feldman usa funcionária de gabinete em mutirão para criar nova sigla

Deputado afirmou que ela está num momento de transição e que já pediu exoneração

Isadora Peron , O Estado de S. Paulo

14 de março de 2013 | 23h36

Texto atualizado às 21h26, de 15/03/2013

SÃO PAULO - Uma funcionária contratada para trabalhar no gabinete do deputado Walter Feldman (PSDB-SP) passou a quinta-feira inteira em São Paulo participando de mutirões para coletar assinaturas para o novo partido da ex-senadora Marina Silva, batizado de Rede Sustentabilidade.

Vestida com a camiseta da sigla e de prancheta na mão para registrar os nomes das pessoas que se dispunham a apoiar a criação da legenda, Daniele Costa acompanhou a caravana da Rede tanto na parte da manhã, na visita ao Mercado da Lapa, na zona oeste, como à tarde, no Mercadão, do centro. À noite, ela deu um depoimento sobre como estava sendo o processo de coletas de assinaturas num evento que reuniu apoiadores do partido na Câmara Municipal, no centro da capital.

Feldman, que já anunciou que vai migrar para a nova sigla, também compareceu aos três atos. Questionado sobre a situação da funcionária, o deputado afirmou que ela está num momento de transição e já pediu exoneração para ocupar um cargo na Secretaria Municipal de Esportes. A reportagem confirmou que Daniele foi convidada a voltar a coordenar o Ginásio de Esportes do Clube Escola Lapa, o Pelezão. O nome dela, no entanto, ainda consta no registro dos funcionários do gabinete do deputado. Segundo Daniele, a sua exoneração deve sair na próxima semana.

O tucano defendeu o fato de a sua assessora parlamentar acompanhá-lo nesses eventos de mobilização para criar um novo partido. Segundo Feldman, a vida de um político não é só dentro do gabinete e ele estaria trabalhando para viabilizar uma alternativa partidária para o País.

"Eu estou definindo a casa onde eu quero cumprir o meu mandato parlamentar, a sociedade brasileira precisa de um novo modelo de desenvolvimento. É claro que quem trabalha comigo pode estar envolvido nessa atividade. Senão seria algo esquizofrênico, sem sentido", afirmou.

A interpretação do professor de Direito Eleitoral da FGV Yuri Carajelescov é diferente. Segundo ele, uma pessoa contratada com a verba parlamentar, ou seja, com dinheiro público, só pode exercer atividades parlamentares, e não toda e qualquer atividade de cunho político durante o horário de expediente. Ele compara essa atitude ao uso de funcionários de gabinete que fazem campanha para parlamentares durante as eleições, o que é proibido pela Justiça Eleitoral.

De acordo com o especialista, Feldman pode até ser punido por improbidade administrativa. "O correto seria ele devolver aos cofres públicos essa diária da funcionária que passou o dia exercendo outras atividades que não diziam respeito ao mandato parlamentar do deputado", afirmou.

Nota

Nesta sexta-feira, 15, Feldman enviou uma nota ao Estado, na qual reitera que "a ação política do parlamentar, não ocorre apenas no âmbito do seu gabinete" e que considera legítimo o fato de seus assessores participarem das atividades que dizem respeito à criação do seu novo partido. "Todos que me acompanham estão profundamente envolvidos nessa empreitada e não poderia ser diferente. Conquistada, será um novo paradigma da minha vida pública. Portanto, não há como desvincular minha ação parlamentar da construção dessa nova sigla que busco ser abrigo dos meus ideais e sonhos", afirmou.

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