Federais devem voltar às aulas só em 2002

A volta às aulas nas escolas técnicas e universidades federais deve ser adiada para o início de 2002. Com a aproximação do Natal e do Ano Novo, os diretores e reitores das instituições afirmam que é inviável reiniciar as atividades nas próximas duas semanas. "Eu gostaria que as aulas recomeçassem agora, mas com esse atraso a tendência e o bom senso nos levam a retornar no dia 7 de janeiro", diz o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), reitor Carlos Roberto Antunes."Antes, no entanto, a greve tem de acabar." O retorno das atividades estava previsto para a última segunda-feira, depois que o Executivo aceitou aumento no salário-base dos docentes. A demora nos cálculos do reajuste, porém, suspendeu de vez a reposição de aulas. Ontem, o governo e o Congresso decidiram remanejar mais R$ 13 milhões, chegando a um total de R$ 341 milhões, para conceder reajustes aos docentes e formalizar o fim da greve, que completa 106 dias.A reitora da federal de Pelotas, Inguelore Scheunemann, afirma que tentar reiniciar as aulas ainda neste mês seria "trabalhar com algo que não é real". Ela observa que estudantes de outras regiões teriam dificuldades para arcar com duas viagens em curto período, já que aulas seriam novamente suspensas durante o recesso das festas de final de ano. Também lembra que alunos do noturno têm de trabalhar até altas horas no comércio, no período natalino.O conselho universitário da federal de Pelotas analisa duas datas para a volta às aulas, no dia 3 e no dia 7 de janeiro. A reitora pretende fechar o segundo semestre deste ano no final de abril. O intervalo para o começo do primeiro semestre de 2002 terminaria, no máximo, 15 dias depois. O intervalo, segundo Inguelore, só será feito para efetuar matrículas e avaliar notas e freqüências. A meta é normalizar o calendário letivo em março de 2003. A reitora defende uma "reposição com qualidade", e admite que a situação é de perda. "Comprimir três semestres em apenas um ano é sempre muito desgastante."Ameaça A formalização do fim da greve poderá acontecer amanhã. Os professores vão analisar em assembléias pelo País o projeto de reajuste salarial concedido pelo governo, que deverá ficar em 13,2%. Até o final desta tarde, a proposta ainda não tinha sido votada na Câmara. Para conceder aumentos aos professores de escolas militares e acabar com as divergências de cálculos feitos por representantes do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) e técnicos dos ministérios do Planejamento e da Educação, os líderes dos partidos governistas decidiram remanejar mais R$ 13 milhões do Orçamento da União de 2002. O montante de R$ 341 milhões foi assegurado pela base governista após uma reunião tensa entre sindicalistas, parlamentares e representantes do governo. O deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), interlocutor do Palácio do Planalto nas negociações, elevou o tom da voz para dar um recado a técnicos do Planejamento: "Peço aos senhores para recalcularem os números. Caso contrário, eu vou expor o Executivo e renunciar à posição de relator (do projeto de reajuste)".Do total de R$ 13 milhões, R$ 10 milhões poderão ser remanejados das verbas previstas para o Ministério da Defesa. O valor serviria para reajustar salários de professores de escolas militares, que por lei devem receber os mesmos reajustes dos docentes da rede federal de ensino. "Esperamos ratificar o processo de fim de greve nas assembléias de sexta-feira", disse o presidente do Andes, Roberto Leher. Isso se não "houvesse nenhuma surpresa" por parte do governo.Os sindicalistas ainda tentaram obter mais R$ 16 milhões. Era demais, segundo o interlocutor do governo. "Alguns são mesmo intransigentes", disse Marchezan. Para o deputado, os professores "vão ficar mal" com o Congresso e com a sociedade se não voltarem às salas de aula. "É bom acertar logo isso; o dinheiro pode sumir, como no final de outubro, quando deixaram de fechar acordo de (R$ 350 milhões) com o fim do prazo dado pelo Congresso."

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