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Federação da PF acusa ministro da Justiça de ato eleitoreiro

A inauguração do prédio novo da superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde foram investidos R$ 43 milhões, foi classificada de "eleitoreira" pela Federação Nacional dos Policiais Federais. O presidente da entidade sindical, Francisco Carlos Garisto, acusou o diretor da Polícia Federal, Agílio Monteiro, de ser candidato a deputado federal por Minas Gerais. Segundo ele, "a inauguração é eleitoreira, de interesses eleitoreiros"."Quando alguém inaugura um prédio público ou privado, no dia seguinte tem de estar funcionando, e este não é o caso", disse Garisto, pouco antes de o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, inaugurar o prédio de 36 mil metros quadrados na Lapa, zona oeste da capital paulista."Juntaram-se dois candidatos com vistas às eleições e, agora, estão fazendo uma inauguração que só daqui a um ano, no mínimo, poderá estar sendo utilizada pela Polícia Federal", disse Garisto, ao se referir ao ministro e ao diretor da Polícia Federal.O sindicalista disse ainda que o prédio, apesar de ser espetacular, não está dotado de infra-estrutura adequada (móveis e equipamentos) para começar a funcionar. Agílio Monteiro afirmou que se trata da primeira fase de instalação da superintendência da PF em São Paulo e que em três meses as unidades da corporação estarão concluindo a mudança. "Empresas especializadas calculam que em 90 dias a mudança poderá ser completada, já que a Polícia Federal não pode parar de funcionar. Não é como mudar de residência", afirmou Monteiro.No discurso de inauguração, à qual compareceram vários políticos e centenas de policiais federais, Monteiro fez apologia sobre o papel da Polícia Federal ao afirmar que, hoje, "não existem mais intocáveis no País". Ele disse ainda que a PF nunca recebeu tantos investimentos como nos dois últimos anos, período em que ele se encontra no cargo.O ministro da Justiça, que ficou irritado quando foi indagado se ele e Monteiro eram candidatos a algum cargo legislativo, deu números ao discurso de Monteiro, afirmando que a média anual de investimentos na Polícia Federal passou de R$ 30 milhões, antes do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, para R$ 158 milhões por ano. "Em dois anos construímos mais do que em 35 anos", disse.Aloysio foi além, citando que a média de apreensões de drogas nos dois últimos anos foi seis vezes maior do que em períodos anteriores e que o número de inquéritos aumento 30 vezes . "Desmontamos quadrilhas de colarinho branco que deram prejuízo de R$ 50 bilhões ao erário público", afirmou.Sem conseguir convencer à imprensa, que insistia em perguntar se ele e Monteiro eram candidatos, o ministro afirmou que começará a sua campanha apenas em julho. "Não tenho mais idade nem saúde para fazer campanhas muito longas. Estou aqui cumprindo uma função do Ministério da Justiça em uma inauguração sóbria, com um a platéia composta de policiais e profissionais do direito", afirmou.Diante da insistência, Aloysio ficou ainda mais irritado e afirmou: "Aqui não se fala em eleição nem em candidatura. Não estamos em campanha", garantiu.

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