'Fechamento de questão de partidos mostra que Congresso sabe da importância', diz Temer sobre o teto

Presidente afirmou que se teto dos gastos tivesse sido formulado há cinco anos, nós não teríamos déficit; ele também destacou o programa de concessões do governo e disse que 'a confiança está sendo restabelecida'

Carla Araújo e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2016 | 20h51

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira, 5, que o fechamento de questão dos partidos em torno da aprovação da PEC que cria o teto dos gastos é uma "sinalização mais evidente" que o Legislativo tem com as contas públicas e descartou aumento de tributos.

"Seis partidos já fecharam questão da proposta de emenda constitucional que fixa um teto para os gastos públicos é a significação mais evidente que o Legislativo tem consciência das dificuldades do País, não apenas o Executivo, não apenas o governo, mas que eles estão colaborando para tirar o País da crise", afirmou em entrevista ao Jornal da Band.

Assim como fez mais cedo, ao pedir que parlamentares estejam em Brasília na próxima segunda-feira para votar a PEC, Temer disse que se o teto dos gastos tivesse sido formulado há cinco anos, nós não teríamos déficit. "O Brasil seria de outra maneira", disse.

Segundo Temer, o fechamento de questão dos partidos a favor da PEC foi uma coisa espontânea. "Eu fiz uma reunião com os líderes e presidentes dos partidos, e cada um deles, na hora de falar, disse que era tão grave, e tão importante, esse projeto de emenda constitucional que nós vamos fechar questão", afirmou.

"Toda vez, é natural, que você vai fazer uma restrição, na sua casa, se você fizer uma restrição, alguém vai reclamar. Só depois que você explica é que a pessoa diz: 'Muito bem, eu tenho uma restrição hoje, para ter um beneficio amanhã'. E é exatamente isso que acontece no Brasil", completou.

Temer disse ainda que ao falar em teto para despesas publicas o governo está "cortando na carne" e com isso não haverá aumento de impostos. Segundo ele, o comportamento da oposição, se colocando contra o projeto, talvez fosse diferente. "Estamos falando de cortar na carne quando falamos em teto das despesas públicas, estamos descartando neste momento, qualquer hipótese de tributos. Porque no Brasil é assim: se você está na oposição, você tem que destruir o governo. Tem que impedir tudo aquilo que o governo faz", afirmou.

"A oposição, caso estivesse na situação, talvez estivesse fazendo as mesmas coisas, como já fez no passado. Mas como está na oposição, e o conceito de oposição é "vamos derrubar o governo", "vamos jogar contra". Então está no horizonte isso", completou.

Temer rechaçou a ideia de fazer uma reforma ministerial neste momento, mas disse que ela pode acontecer "dependendo da circunstância". "Mas não está no meu horizonte fazer qualquer reforma. Até porque os partidos estão, na verdade, representados no governo. E você verifica que, na verdade, os partidos da base do governo é que tiveram um sucesso extraordinário", completou.

O presidente destacou o programa de concessões do governo e disse que "a confiança está sendo restabelecida". "Nós criamos um setor especial no governo, que é exatamente para tratar das concessões nos serviços públicos. E já há 34 setores, portos, aeroportos, rodovias, na área de Petróleo e gás onde há previsão de possibilidade de concessões. E isto está sendo negociado. E o que nós queremos? Queremos apenas conceder? Não. A concessão é para gerar investimentos, portanto, geradora de emprego", afirmou.

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