Febre aftosa é o próximo desafio do Cone Sul

A questão da febre aftosa será o próximo desafio na área de saúde alimentar em todo o Cone Sul. Segundo o presidente do Fundo de Defesa da Pecuária de Corte (Fundepec), Pedro Camargo Neto, terá de ser feito um esforço de vacinação de todo o rebanho da América do Sul para erradicar de vez a doença. "A situação atual causa preocupação porque houve um retrocesso", disse ele. Na opinião dele, esse problema terá de ser solucionado de maneira completa e definitiva. Mas isso não se faz do dia para a noite e exigirá organização de pecuaristas, envolvimento dos governos e determinação. O problema existe ainda no Brasil e em outros países como Argentina, Uruguai e na Bolívia. "Se houver gado com aftosa no Rio Grande do Norte, haverá em São Paulo, porque, ainda que não atinja o ser humano, ela é extremamente contagiosa transmitida de várias formas, através de todos que tenham contato com rebanho infectado." Daí a necessidade de erradicação, argumentou. A solução passa pelo reconhecimento da existência da doença pelos pecuaristas e governos dos países de todo o Cone Sul. Para Camargo Neto, os argentinos protelaram a vacinação e esconderam a verdadeira situação do rebanho - o mesmo erro cometido pelos paraguaios. O Brasil adotou postura diferente e não escondeu o problema. Portanto, a situação é irregular, não só no Brasil, como em outros países. Na Bolívia, por exemplo, a vacinação sequer começou. No Brasil, há Estados - ele cita Acre, Maranhão e Rio Grande do Norte - que também precisam vacinar os rebanhos. Para Camargo Neto, os pecuaristas é que têm de liderar os movimentos de vacinação e passar, a partir de agora, a fazer toda a prevenção da saúde do gado. "No comércio de alimentos, a questão da certificação e da conquista da confiança do consumidor é determinante", disse o presidente do Fundepec. Uma providência imediata é parar de pôr a culpa no governo. A vacinação deu certo em todo lugar onde pecuaristas e as associações assumiram a coordenação do processo de cura do gado. A atitude que o Brasil adotou, a partir de então, foi bem diferente da dos argentinos. Durante um tempo, eles tentaram enganar, segundo Camargo Neto, dizendo que estavam fazendo um reforço da vacina, quando, na verdade, estavam vacinando o rebanho.

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