Febraban: alta de juros nos EUA terá impacto reduzido no Brasil

Um aumento dos juros americanos não deve afetar o Brasil significativamente, segundo o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Luis Troster. "Se os juros dos Estados Unidos passar de 1% para 1,5% talvez o crescimento econômico no Brasil este ano passe de 3,5% a 4% para de 3,4% a 3,9%", disse.Ele observou que a taxa americana está no patamar mais baixo dos últimos 40 anos e, mesmo subindo, continuará baixa. "O sonho dos brasileiros é ter juros de 10 vezes os dos Estados Unidos", disse. Ele observou que a vulnerabilidade externa do Brasil diminuiu muito e que o saldo comercial este ano deve ser de US$ 25 bilhões. O crescimento este ano, porém, se fará com a ocupação de capacidade ociosa e, para sustentar o crescimento em um prazo maior, será necessário ter investimentos para expandir a capacidade. Para isso, segundo Troster, é fundamental reduzir o spread bancário ? diferença entre os juros de captação e as taxas cobradas pelos bancos nos empréstimos.Críticas"Apesar do discurso do governo de que quer reduzir os juros, no ano passado o governo aumentou os depósitos compulsórios (no Banco Central), impostos e os recursos direcionados (que os bancos precisam aplicar obrigatoriamente para determinados fins)", disse. "Todos esses são fatores que aumentam o spread. O spread caiu no ano passado pela redução da volatilidade e ganhos de escala, mas, se não fosse por todos esses aumentos, o spread poderia cair muito mais", disse.Troster afirma que o governo poderia rapidamente "eliminar" os recolhimentos compulsórios, que hoje são cerca de R$ 120 milhões, de acordo com ele; reduzir a carga tributária e melhorar o "quadro institucional", que envolve processos judiciais demorados, burocracia, dificuldades relacionadas a execução de garantias etc.Também elenca como importante para a redução dos juros finais a queda dos juros básicos, mas é contrário ao aumento das metas de inflação ou mesmo a discussão dessa possibilidade. "Só de discutir isso, a taxa de juro já sobe porque a expectativa de inflação aumenta", disse.

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