FBI vai treinar brasileiros no combate à corrupção

A Corregedoria-Geral da União (CGU) aceitou o convite feito pelo FBI para treinamento de seus técnicos em cursos de capacitação nas áreas de corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado. O anúncio foi feito pela corregedora-geral, ministra Anadyr de Mendonça Rodrigues, depois de autorização dada pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Anadyr, a colaboração foi oferecida por integrantes do FBI que já ajudam o Brasil na investigação de casos de corrupção e lavagem de dinheiro.Ela ressaltou que, hoje em dia, os órgãos de investigação dos países não fazem mais investigações sobre estes temas de forma isolada, citando a colaboração que o FBI já presta ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Para a ministra, a formação dos técnicos da CGU em cursos como o oferecido pelo FBI é importante para um melhor acompanhamento das denúncias apresentadas ao órgão. Ela irá procurar a embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, para saber detalhes dos cursos.Não há definição de quantos servidores passarão pelo treinamento, qual a data do primeiro curso e se isso implicará em custos para o governo brasileiro. Na próxima semana, Anadyr irá ao Rio de Janeiro para conhecer o trabalho desenvolvido por técnicos do INSS e do Ministério Público para a investigação de fraudes contra a previdência pública. Esse grupo se notabilizou pela recuperação de mais da metade dos recursos desviados pela fraudadora Jorgina de Freitas.Durante encontro no Palácio da Alvorada, Anadyr entregou ao presidente Fernando Henrique um CD-ROM composto por dois bancos de dados: um com a lista dos 1.260 processos abertos pela CGU nos primeiros quatro meses de existência para investigar denúncias de corrupção no governo federal e outro (ainda incompleto) que traz todas as sindicâncias e procedimentos administrativos, relativos à corrupção, em andamento nos diferentes órgãos da administração federal. Ainda este mês, a CGU pretende disponibilizar estes dados pela Internet. "É o primeiro governo que se mostra tão transparente neste particular", enfatizou Anadyr. "Nunca houve transparência tão grande, porque o cidadão comum pode acompanhar passo a passo os processos", completou. A ministra informou ainda que nestes quatro meses de existência, a CGU já tomou providências em nove casos, entre eles, as denúncias envolvendo o pagamento fraudulento de precatórios pelo DNER. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, teve que reabrir investigações que já estavam encerradas, porque a CGU detectou falhas na apuração da comissão designada pelo ministro.

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