FBI e Mossad reforçam presença na fronteira do Paraguai

Estados Unidos e Israel aumentaram sua presença na fronteira entre Brasil e Paraguai, por causa do atentado contra o Pentágono e o World Trade Center. Segundo fontes policiais de Foz do Iguaçu, o serviço secreto israelense (Mossad) e a polícia federal americana (FBI) nunca saíram da região, desde o atentado terrorista contra a mutual israelita de Buenos Aires, em 1995. Mas desta vez o controle é maior.Com base em Assunção, quatro ou cinco agentes dessas instituições vinham investigando ao longo desses anos as atividades de imigrantes e descendentes de origem árabe que vivem em Foz e na vizinha Ciudad del Este. Desta vez, no entanto, o número de agentes do Mossad e do FBI enviados à fronteira não teria sido revelado nem mesmo à Polícia Federal brasileira.Depois dos atentados na Argentina (outro já havia ocorrido em 1992), a fronteira entre Brasil e Paraguai tornou-se um dos pontos mais vigiados da América do Sul. A região passou a ser considerada área de risco permanente em decorrência do tráfico de drogas e armas, além da falta de controle da circulação de pessoas entre os dois países. O Mossad e o FBI foram atraídos pelas suspeitas de existência de células terroristas na região.Por causa do conflito árabe-israelense no Oriente Médio, a associação é direta com a colônia árabe da fronteira, que tem 12 mil pessoas entre imigrantes e descendentes em Foz e Ciudad del Este. O serviço secreto israelense acredita que integrantes dessa comunidade possam estar financiando grupos extremistas como o Hezbollah, que atua no sul do Líbano, como foco de resistência armada contra Israel.Solidária à causa palestina e formada na maioria por imigrantes oriundos do Vale do Bekaa, no sul do Líbano, a colônia posiciona-se contra atentados terroristas e diz que é vítima de discriminação. "Sempre que acontece um atentado em alguma parte do mundo, lançam suspeitas sobre nossa comunidade", lamenta o empresário Fouad Fakih. "Mas nunca encontraram um terrorista sequer nessa região".O Paraguai ganhou fama de proteger terroristas ainda no governo do ditador Alfredo Stroessner. O país também recebia com simpatia extremistas de direita de todo o mundo. Membros do alto escalão do governo da época vendiam documentos a fugitivos. Ainda hoje o Paraguai se vê às voltas com falsificação de passaportes, inclusive para suspeitos de terrorismo.

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