Fazendeiros e sem-terra são indiciados pela PF

Pelo menos 88 sem-terra já foram indiciados em 136 inquéritos que estão sendo concluídos pela Polícia Federal. A maioria por invasões de prédios públicos, mas a PF investiga também a participação de integrantes do Movimentos dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) em 34 denúncias de fraudes contra o Programa de Crédito Especial para Reforma Agrária (Procera) e Projeto Lumiar, onde também estão arrolados técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).Grande parte dos inquéritos foi aberta no ano passado, quando o MST desencadeou em todo o País uma onda de invasões a prédios públicos e bancos, bloqueio de estradas e pontes, além da descoberta, pelo próprio governo, de fraudes em seus programas de crédito.Um relatório sigiloso feito pela Divisão de Conflitos Agrários e Fundiários (Decaf) da PF, obtido com exclusividade pelo Estado, mostrou que 103 pessoas foram indiciadas por envolvimento em questões de terras, sendo 88 ligadas ao MST.Segundo o relatório, quatro inquéritos envolvem a Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária (Cocamp), em Presidente Prudente, ligada ao MST.Em um deles, a PF espera a remessa de documentos pelo Banco do Brasil e pela Receita Federal para começar a ouvir testemunhas. Outros três inquéritos, que apuram a obtenção de financiamentos do Procera pela Cocamp, com suspeita de fraudes, já foi encaminhado à Justiça Federal, que determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal da cooperativa.Em 14 Estados ? Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Pará, Rondônia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ?, a Polícia Federal está investigando denúncias ou indícios de fraude no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).Há também investigações relacionadas a desvios do Procera em Alagoas, Santa Catarina e São Paulo, mas Pernambuco é o recordista em casos: 10 inquéritos.Dos 136 inquéritos instaurados pela PF, pelo menos 30 foram abertos para apurar fraudes cometidas pelo megalatifundiário Falb Saraiva de Freitas, que ficou preso por mais de três meses na PF, em Manaus, acusado de grilagem de terra.Saraiva é acusado de falsificação de documentos e estelionato. O empresário, que vivia no Amazonas, Acre e Rio Grande do Sul, dizia ter pelo menos 12 milhões de hectares na região Norte, mas o Ministério do Desenvolvimento Agrário afirmou que a maior parte foi obtida com certidões falsas.Em outros inquéritos, que ainda estão em andamento, dez fazendeiros foram indiciados pela PF também por envolvimento em conflitos de terra em Mato Grosso do Sul e Presidente Prudente (SP), além de sete comerciantes, que teriam participado de negociações irregulares com integrantes do MST.O coordenador nacional do movimento, João Paulo Rodrigues, classificou de ?terrorismo? a atuação do governo federal contra os sem-terra. ?Este fato demonstra que a ofensiva do governo continua contra o MST. Não faz abertamente, mas nos bastidores?, afirma Rodrigues, acrescentando que não existe nada de concreto nos inquéritos.?A PF quebrou o sigilo dos dirigentes da Cocamp, mas nada encontrou. São apenas argumentos políticos.?

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