Fazendeiros agem por conta própria e tiram MST à força

Inconformados com a invasão da propriedade, os fazendeiros Ademir Roberto Conti e José Carlos Salmazo, decidiram agir por conta própria para retirar os 80 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que tinham ocupado, no último dia 9, a fazenda Porto Maria, em Rosana, no Pontal do Paranapanema. Eles reuniram 22 homens, entre eles vários empregados da fazenda, e avançaram sobre os invasores no final da tarde de domingo. Houve tiros, pancadaria e depredação. Pelo menos oito sem-terra, inclusive mulheres e crianças, foram agredidos a pauladas. Dois deles, Dimas da Silva, de 62 anos, e um adolescente não identificado, ficaram feridos. Silva foi internado no hospital de Rosana com ferimentos na cabeça, mas recebeu alta pela manhã. A Polícia Militar prendeu os 22 agressores e os dois donos da fazenda, Ademir Roberto Conti e José Carlos Salmazo. Eles foram ouvidos pelo delegado Everson Aparecido Contelli e liberados, mas vão responder a processos por lesões corporais, danos e exercício arbitrário das próprias razões com uso de violência. A fazenda, com cerca de 1.600 hectares, foi adquirida pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) para a reforma agrária. Como as terras eram objeto de discussão na justiça, houve um acordo e cerca de 500 hectares foram entregues a Conti e Salmazo. O MST invadiu a área, alegando que a terra toda deveria servir para assentamento. Os donos entraram com pedido de reintegração de posse, mas não esperaram a decisão da justiça. Segundo Conti, os sem-terra invadiram a casa-sede e já haviam furtado 12 cabeças de gado. O coordenador estadual do MST, Valmir Sebastião, disse que os sem-terra foram apanhados de surpresa. "Parte dos jagunços estava armada com revólveres e espingardas, os outros tinham porretes nas mãos."

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