Fazendeiros acham prazo insuficiente para colheita

Os produtores de arroz instalados na Terra Indígena Raposa Serra do Sol contestaram ontem o prazo concedido pelo ministro Carlos Ayres Britto, do STF, para a saída deles daquela área. "O prazo é muito pequeno. A colheita de arroz, que está em andamento, segue até meados de maio. Não dá para sair no final de abril", disse ontem ao Estado o presidente da Associação dos Rizicultores de Roraima, Nelson Itikawa. "Não dá para sair de lá antes de um prazo mínimo de seis meses."Itikawa, que controla uma área de 7 mil hectares na terra indígena, destacou que, além da dificuldade para a retirada das máquinas agrícolas de grande porte, que exigem esquemas especiais para trafegar nas rodovias, a transferência do gado não pode ser feita às pressas. Só o fazendeiro Paulo César Quartiero, que liderou a resistência dos arrozeiros às reivindicações indígenas pela terra, possui cerca de 4 mil cabeças de gado."As máquinas podem ser encostadas em algum terreno da cidade, mas o gado exige pastagens, que nem foram alugadas. Só para os animais do Quartiero são necessárias umas 200 carradas", disse Itikawa, referindo-se ao transporte em caminhões.O representante dos arrozeiros também afirmou que o governo deve arcar com os custos da retirada. "Estou aqui desde 1991, com títulos de propriedade, e agora me acusam de invasor e me expulsam, com uma indenização que não paga nem o custo da mudança. Eu não vou pagar por isso. Indico os lugares para onde as coisas devem ser levadas e a Polícia Federal e a Funai que tratem de levar."

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